O mundo celebrou na semana passada, dia 12 de Maio, o Dia Internacional do Enfermeiro. Nesta edição, domingotraz o rosto de uma mulher que exerce esta profissão há mais de 20 anos. É uma homenagem à classe.

Chama-se Eda Naissone Coutinho, tem 46 anos de idade, e é licenciada em Enfermagem de Saúde Materna, pelo Instituto Superior de Ciências de Saúde.

Com 25 anos de carreira, abraçou a profissão por influência da sua irmã mais velha, também enfermeira, com quem cresceu. Até hoje, Eda guarda na memória o que “bebeu” da sua irmã. “Lembro-me da forma entusiasmada com que a minha irmã falava desta profissão e do exemplo transmitido por Samora Machel enquanto enfermeiro. Foi por isso que me apaixonei pela enfermagem e abandonei o curso de instrumentista de controlo automático, que fiz na escola industrial”, partilha.

Afeiçoada ao que faz, lamenta o facto de, na sua opinião,os enfermeiros não serem tratados com a devida importância que possuem para o Serviço Nacional de Saúde.“Hoje somos tratados como instrumentos apenas. Mas os enfermeiros é que asseguram as nossas unidades sanitárias 24 horas por dia”, frisa.

Natural de Tete, distrito de Changara, povoado de Cancune, Edna Coutinho vem de uma família de 11 irmãos de mães diferentes. É a sexta filha da parte do pai. Fez o ensino primário em Tete até à 4.ª classe. Passou a viver em Songo, onde fez a 5.ª classe, tendo ingressado na escola industrial, onde fez o curso de instrumentista de controlo automático. Mais tarde apaixona-se pela enfermagem e faz o curso médio no Instituto de Ciências de Saúde da Beira. Posteriormente, candidatou-se para fazer parte do quadro do Ministério da Saúde. Dois anos depois foi admitida para trabalhar em Maputo.

Ousada, Eda conta que teve de contrariar os seus receios para buscar os seus objectivos de vida. “O meu nome saiu para trabalhar cá em Maputo. Tinha medo, pois não tinha família cá. Era uma jovem de apenas 23 anos que decidiu arriscar”, lembra.

Analisando a classe enfermeira hoje, lamenta o facto de os profissionais de enfermagem recém-formados possuírem muitas lacunas. “Devemos melhorar a qualidade de ensino. Apesar de o número de unidades sanitárias estar a aumentar pelo país, estamos a receber pessoal com muitas dificuldades, o que não é bom”, afirmou a nossa entrevistada.

Enfermeira-chefe no departamento de maternidade do Hospital Provincial de Maputo, Eda Coutinho lamentou o facto de as condições de trabalho ainda não serem as mais desejadas. “Ainda temos muitos desafios pela frente. É preciso que tenhamos melhores condições de trabalho, afinal de contas lidamos com vidas, algo muito sensível”,explicou.

Casada e mãe de duas meninas e um rapaz, conta que o seu tempo é quase sempre dedicado ao trabalho. A sua rotina diária inicia às 4.00 horas da manhã, momento em que desperta para preparar os filhos. Sai de casa às 5.30 horas, directo para o seu posto de trabalho e só regressa ao final do dia.

Diz ter pouco tempo para se entreter com amigos. “Só tenho tempo de descanso aos domingos. E é neste dia que me dedico à família e vou à igreja”, aponta.

Não dispensa um bom prato de verduras e confessa que uma das suas grandes decisões foi parar de consumir bebidas alcoólicas. “Já vão anos que decidi parar de consumir álcool porque não é compatível com a minha profissão”, conta. Para esta mulher a honestidade constitui o maior valor humano.

Texto de Luísa Jorge

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