Stela da Graça Magalhães Pinto Novo abre-se ao domingo e fala da sua infância, adolescência e juventude. Diz esperar atitude colaborativa no diagnóstico e solução dos problemas da província de Gaza para que continue a desenvolver-se rapidamente. Sente-se orgulhosa por integrar um Governo que está disposto a enfrentar muitos desafios e que, em pouco tempo, demonstrou estar pronto a servir o povo com diferença.

Senhora Governadora, qual é a sua origem e proveniência?

Sou Stela Graça Magalhães Pinto Novo Zeca. Nasci em Catandica, província de Manica, em 1977. Meu pai era funcionário da administração do Governo do distrito, mas passou por várias administrações distritais como funcionário. É por isso que quando tinha um ano ele foi transferido de Manica para a província da Zambézia.

E na Zambézia onde trabalhou?

Esteve sucessivamente a trabalhar como funcionário em Gurué, Mocuba entre outros distritos.

Como era a ambientação da família com essas movimentações?

Falando especificamente do meu caso, o processo de ambientação escolar era muito difícil.

Por que razão?

Porque tinha que me adaptar constantemente aos locais onde fóssemos vivendo à medida que ia crescendo e estudando. Como deve imaginar, adaptar-se constantemente a ambientes diversificados do contexto escolar primário, não era nada fácil.

Que recordação guarda da infância passada nesses locais?

É difícil fazer lembranças porque a passagem por muitos sítios durante a infância foi inconsciente. Mas, o que era complicado era obter alguma identidade com esses locais passados, como por exemplo, dominar perfeitamente as línguas desses locais. Veja que só a aprendi o chuabo mais tarde quando fui viver em Quelimane. 

Como é que vive em Quelimane?

Foi quando avancei com os meus estudos. Como em certos locais onde meu pai fosse colocado não tivesse escolas à altura de corresponder o meu avanço nas classes, meu pai decidiu que se fixasse definitivamente num único sítio, neste caso, na cidade de Quelimane, capital provincial da Zambézia. 

Vivia no internato?

Não! Vivia com minha mãe e irmãos mais novos. Somos quatro irmãos, sendo eu a mais velha. Tenho duas irmãs que me seguem e, por ultimo, um rapaz. Foi a melhor forma que meu pai encontrou enquanto ele trabalhava nos distritos, porque a minha mãe também largava sempre os seus serviços em cada local por onde passássemos.

Significa que sua vida estudantil foi em Quelimane?

Claro! Foi em Quelimane onde frequentei os ensinos primário, secundário, pré-universitário para mais tarde em 1997 frequentar o ensino superior na Universidade Pedagógica.

Qual foi o curso que frequentou na UniversidadePedagógica?

Licenciatura em ensino de Química e Biologia embora o meu primeiro desejo fosse de seguir Medicina na Universidade Eduardo Mondlane. Concorri para Medicina e não fui apurada e como segunda opção fiz exames na Universidade Pedagógica e fiquei admitida.

Quando termina licenciatura?

Em 2003. Depois regressei para Quelimane e fui afecta em 2004 na Escola Secundaria 25 de Setembro. Foi a primeira vez que comecei a trabalhar.

Como é que profissionalmente se liga à Universidade Pedagógica, Delegação de Quelimane?

Em finais de 2004 tive o convite para fazer parte do corpo docente da Universidade Pedagógica em Quelimane uma vez que se tencionava introduzir o curso de licenciatura em ensino de Biologia. Logo no primeiro ano, tive a responsabilidade de coordenar este curso, sendo a primeira mulher efectiva a fazer parte do corpo docente da Universidade no Departamento de Ciências Naturais e Matemática. Mais tarde, passei a coordenadora geral das práticas pedagógicas da Universidade ao nível da Delegação e em 2009 fui indicada para Directora-adjunta pedagógica até a data da minha nomeação como governadora da província de Gaza.

Assumo novo

desafio com entrega total

- Que expectativas tem com novo cargo?

Espero trabalhar com entrega total e completa. Conforme disse, venho duma área académica e com esta nova função as tarefas e responsabilidades crescem bastante. Portanto, será necessária muita entrega e concentração para saber escutar e dar o melhor de mim para encarar este grande desafio.

Já conhecia a província de Gaza?

Sim. Tive o primeiro contacto com a província de Gaza no meu tempo de estudante . Contudo, houve certa ocasião em 2001 em que trabalhei nos distritos de Mandlakadzi e Chibuto

Que trabalho foi esse?

Enquanto estudante fiz parte duma equipa de pesquisadores da Visão Mundial nesses distritos com vista a recolher dados socioeconómicos.

Que impressão teve de Gaza?

Boa. Embora minha vinda tivesse coincidido com uma altura em que houvesse muita fome nos locais onde trabalhamos. A alimentação era basicamente de mandioca. Mesmo assim, permanecemos quinze dias convivendo com as comunidades comendo “xiguinha” de “cacana” e bebendo água do poço.

Que experiênciacolheu desse contacto?

Aprendi que quando se tem vontade de triunfar é possível transpor todas as barreiras que se colocam em frente.

Porquê?

Recordo que inicialmente tivemos a ideia de regressar já que sentíamos que não encontramos o que nos tinham prometido. Mas depois, reflectimos e decidimos coabitar com as comunidades até concluirmos o nosso trabalho.

Gosto de mucapata

e frango à zambeziana

Qual é o seu prato predilecto?

Feijoada, mucapata e frango à zambeziana

Que faz nos seus tempos livres?

Gostava de estar com a família em casa ou de sair com ela. Quando não saísse, dedicava-me à organização de eventos, fazendo convites, já que tínhamos uma empresa de organização de eventos . Mas, sobretudo, sempre gostei de estar com a família.

Como é composta a sua família?

Vivo com o meu esposo e temos três filhos. A mais velha (enteada) tem 17 anos e vai cursar Sociologia; a segunda tem dez anos e está na sexta-classe e o ultimo com oito anos e vai frequentar a quarta classe.

Neste momento, como pensa conciliar os seus tempos livres?

Tenho que tirar umas pequenas férias da parte académica. Convencionalmente falando, gosto de escrever artigos da minha área de formação e de participar em eventos científicos pelo menos uma vez por ano. Mas agora com as novas responsabilidades vou parar, porque os desafios são enormes.

Tem consciência dos problemas que a provínciade Gaza enfrenta?

Tenho a ideia dos grandes desafios . Não são poucos, porém, tenho também a consciência de que não vão depender apenas de mim, mas sim da colaboração de todos para que consigamos dar passos em frente. Repito que será necessário o envolvimento articulado de todos nós . A província de Gaza ressente-se ainda da falta de infra-estruturas sociais e económicas suficientes. Temos que avançar juntos no diagnóstico das necessidades e na busca de soluções apropriadas.

De que modo isso pode ser feito?

Através do diálogo e inclusão de todos no processo de desenvolvimento social e económico.

Quais são as suas virtudes?

Muito comunicativa, mas também gosto de ouvir e falar. Sou muito aberta. Considero-me muito responsável já que desde cedo os meus pais impuseram-me responsabilidades acrescidas junto da família. Hoje, entendo perfeitamente a razão da imposição de muita regra e responsabilidade sobre mim. Valeram a pena os ensinamentos do meu pai.

Gosta de música?

Gosto de muito de boa música, mas sem alguma de preferência. Sempre que há boa música gosto de escutar.

Acredita em superstições?

Nem tanto…

Pratica desporto?

Já Joguei basquetebol em Quelimane e parei aos 17 anos. Também gosto do ciclismo. Gostava de pedalar aos finais de semana com as crianças.

Qual a pessoa que mais admira?

Admiro as pessoas íntegras. Admiro as pessoas que me conseguem demonstrar integridade. Admiro também as pessoas que dão todo de si pelo trabalho, sem olhar para os ganhos! Os que olham para a causa sem esperar nada em troca.

O que não tem preço na tua vida?

O afecto que a gente tem em relação às pessoas. Por exemplo, se tenho uma amizade verdadeira não tem preço. Se eu tenho um certo carácter, por mais que traga um valor para poder inverter esse mesmo carácter, não tem preço.

Qual é o valor que a vida tem para si?

Honestidade!

O que é imperdoável para si?

A falsidade e a desonestidade!

Tem arrependimentos? Quais?

Acho que não. Felizmente acho que não tenho arrependimentos. Sempre tentei fazer tudo como acredito que deve ser. Penso muito antes de tomar uma decisão. Felizmente vou sempre para uma direcção que não me traga arrependimentos.

Que acha do novo Governo?

Acho ser um Governo que está disposto a enfrentar muitos desafios. Em pouco tempo demonstrou que está pronto para servir o povo com diferença.

Aos domingos o que não pode faltar à sua mesa?

Não tenho problemas com faltas. Pode faltar isto ou aquilo. Aquilo que tiver eu aceito, mas não posso dizer que não pode faltar. Até a água pode faltar…

O que gostaria de aprender neste momento?

Falar changana! Há algumas palavras que já aprendi em pouco tempo.

É uma dependente?

Sou muito independente, porque tive que aprender com a rigorosidade imposta pelos meus pais. Hoje também não espero muito dos outros. Se é necessário fazer algo entrego-me, independentemente do tipo de actividade.

Como alivias o seu “stress”?

S.Z. Os meus filhos ajudam bastante…

Qual é o seu maior medo?

Perder as pessoas mais próximas da família. Quando tenho um parente doente parece que se liga um botão que me dá algum desconforto.

Artur Saúde

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