A reportagem, que trazemos nas páginas seguintes, é o retrato de como muitos condutores se comportam nas estradas primárias, secundárias e terciárias do país, algumas em estado sofrível.

Hoje, perder a vida na estrada tornou-se tão corriqueiro e estúpido que, só de pensar o que pode acontecer ao nosso filho, neto ou sobrinho quando o mandamos comprar pão, açúcar, jam, lenha, petróleo, feijão…, tendo de atravessar a estrada, deixa-nos com o coração aos pulos.

Pior ficamos, quando sabemos que temos um familiar ou amigo em viagem terrestre para a zona centro, norte ou sul do país, ou para a vizinha África do Sul, porque, quer na EN1, quer na EN4, o perigo está sempre à espreita, porque não são poucos, ou melhor, são muitos os automobilistas que não se sobressaltam, quando o conta-quilómetros ultrapassa os 100 quilómetros por hora. Pelo contrário continuam a dar gás ao carro.

Quem quiser se certificar do que estamos a narrar, não precisa esquentar a cabeça. Basta se meter no seu carrinho e fazer-se à estrada. Vai deparar-se com tractoristas, sem qualquer iluminação, que repentinamente surgem do nada na estrada, como se nascidos por geração espontânea (no caso vertente saídos da mata) e pode ser o fim da viagem. Mas há mais armadilhas. Como o ser ultrapassado por um veículo pesado e que de repente decide afrouxar ou parar para o condutor comprar, por exemplo, lenha, carvão ou até mesmo bananas.

Na passada quinta-feira, dez pessoas perderam a vida no distrito de Inhaminga, província de Sofala. Aponta-se como provável causa do acidente problemas mecânicos, pois o veio de transmissão do camião teria se desprendido e, em consequência, o carro ficou desgovernado, tendo capotado de seguida.

Segundo se soube, na altura do acidente, a viatura transportava sacos de peixe seco e as pessoas por cima dos sacos, o que terá concorrido para o elevado número de mortos.

No local, terão morrido, de imediato, seis pessoas, e outras três perderam a vida no Centro de Saúde da Vila de Inhaminga. A décima vítima morreu a caminho do Hospital Central da Beira(HCB).      

Aliás, na província de Sofala, segundo os dados estatísticos recentes do Instituto Nacional de Transportes Terrestres (INATER), pelo menos três pessoas perdem a vida diariamente em resultado de acidentes de viação.

Em Nampula, pelo menos 100 pessoas perderam a vida e 60 contraíram ferimentos, entre graves e ligeiros, em consequência de 52 acidentes de viação registados durante o primeiro semestre deste ano.

Aqui na capital do país, na semana de 21 a 27 de Julho cinco pessoas morreram e outras 24 ficaram feridas, 15 das quais com gravidade, em resultado de 22 acidentes de viação.

Entretanto, outro aspecto, que constatamos durante e antes da realização do presente trabalho, foi que, larga maioria da população, entre crianças e adultos, mas sobretudo crianças não sabem como proceder para atravessar as ruas e avenidas, isto apesar de todo o esforço desenvolvido pela Polícia de Trânsito (PT) em coordenação com os estabelecimentos de ensino com vista a garantir a segurança rodoviária. Efectivamente, muitos fazem-no de forma perpendicular quando devia ser de forma rectilínea para mais rapidamente se alcançarem a outra margem da estrada.

FINALMENTE…

PARAMÉDICOS

Depois da intenção, finalmente vai-se passar à prática. Com efeito, o país poderá contar a breve trecho com uma instituição denominada Instituto Moçambicano de Emergência Médica que, entre outras competências, prestará assistência adequada aos feridos em acidentes de viação na cidade e província de Maputo, numa primeira fase. Com este organismo em funcionamento, que terá ambulâncias devidamente equipadas, além de uma central telefónica, desenha-se a solução para que os feridos em acidentes de viação comecem a ser assistidos, com qualidade, desde o local do sinistro até à unidade sanitária.

André Matola

 

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