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“América está de volta”? Joe Biden é, também, norte-americano!

Fevereiro 20, 2021 971

A política externa dos EUA, durante a presidência de Donald Trump, era uma verdadeira dor de cabeça tanto para os aliados como para os “inimigos”. Trump foi “escorraçado” da Casa Branca mas as preocupações do mundo exterior, especialmente dos “inimigos” dos EUA, parece que se vão manter ou mesmo se agravar na era Biden. O novo presidente apresentou- -se ao mundo com o “chavão” “América está de volta”, com o qual sinaliza um retorno ao multilateralismo em oposição ao isolacionismo e unilateralismo do seu antecessor. No entanto, a postura do novo presidente é de maior aproximação com os aliados tradicionais e não com os “inimigos”. Biden promete manter-se firme e duro no seu relacionamento com os “inimigos”, especialmente Irão e China. O “América está de volta” evidencia, portanto, que independentemente da cor partidária que veste o inquilino da Casa Branca, os presidentes norte-americanos são, acima de tudo, norte-americanos.

Nos momentos iniciais da sua presidência, Joe Biden parece estar a mudar o rumo da política externa dos EUA. Pelo menos a dimensão isolacionista e unilateralista que caracterizou os quatro anos anteriores parece ter os dias contados com o novo presidente. O “mundo” recebeu com agrado o anúncio de que os EUA voltam a juntar-se ao acordo climático de Paris, que o seu antecessor decidira abandonar. Foi com a frase “América está de volta” que Biden sinalizou ao mundo a sua postura multilateral na abordagem de questões de preocupação global como é a questão das mudanças climáticas.

Quem deve estar a respirar de maior alívio são os aliados tradicionais europeus dos EUA, pois a pressão do antecessor de Biden aparenta estar a desvanecer. Os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) encontram fôlego com Biden, pois certamente vai evitar chantageá-los em torno dos gastos na defesa e não vai tomar decisões unilaterais sem, antes, consertar com eles. Com o “América está de volta”, Biden promete reparar os danos cometidos contra a aliança transatlântica e espera recuperar “credibilidade e autoridade moral” para a liderança do mundo Ocidental. Como forma de demonstrar o seu cometimento com os seus aliados da Europa Ocidental, Biden mandou cancelar a retirada de tropas norte- -americanas da Alemanha, tal como tinha sido programado por Trump.

Edson Muirazeque
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