Tamanha barbárie

Não pretendo ser pessimista, mas isto está mesmo ao avesso, no que aos valores morais diz respeito. Todos passamos para uma situação de suspeitos até prova em contrário, independentemente do sexo, faixa etária, extrato social ou mesmo profissão.

É um cenário que, infelizmente, faz jus à máxima “Lupus est homo homini lupus”, uma expressão latina que significa “o Homem é o lobo do próprio Homem”. É mesmo triste.

Ao que tudo indica, hoje em dia os crimes mais vis, sobretudo contra as inocentes crianças ou pessoas idosas, são perpetrados por gente que há lustros constituía a reserva moral de todos nós em virtude não só da sua idade, como também do que faz dentro da sociedade. 

Todo este introito vem a propósito de algo que, confesso, deixou-me com os cabelos em riste quanto contrariado. Refiro-me a uma notícia publicada na semana finda na Imprensa dando conta da detenção pela Polícia de um líder comunitário, algures no distrito de Homoíne, na província de Inhambane, indiciado da prática do crime de violação sexual contra uma criança de apenas três anos, por sinal sua neta. Aliás, a barbárie vinha sendo cometida também contra as filhas.

Em minha opinião, a coisa fica mais complicada ainda quando aqueles que têm o dever moral e, quiçá, legal de proteger determinadas pessoas como resultado, por exemplo, do vínculo parental que comungam com a pessoa, além de não o fazer, são os primeiros a agredi-las sem apelo nem agravo. E porque estas atrocidades acontecem, muitas vezes, no seio familiar, leva tempo até que sejam do domínio público, mormente dos órgãos de administração da justiça. Leia mais...

Por António Mondlhane

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