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“Chantagem” – o outro lado da diplomacia

Outubro 17, 2020 457

Se olharmos para as relações internacionais com as lentes dos moralistas acreditaremos que a cooperação internacional e o estreitamento de relações de “amizade” resultam de processos de genuíno altruísmo e da vontade de ajudar outrem. Porém, as lentes de um pessimista, ou realista, mostram que tudo é válido quando os Estados pretendem alcançar seus interesses, e a cooperação algumas vezes resulta de “chantagem”. Recentemente foi noticiado que os EUA deram um prazo de 24 horas ao Sudão para reconhecer Israel, em troca de sua retirada da lista de países patrocinadores de terrorismo e, com isso, ter acesso à ajuda norte-americana. Quando estas linhas foram escritas a liderança sudanesa ainda não havia tomado posição, mas o facto é que o ultimato colocou o governo num dilema.

O Sudão foi colocado na lista negra dos EUA em 1993, depois do primeiro ataque terrorista contra o World Trade Center, em Nova Iorque. Supostamente, assim que o já deposto presidente Omar Hassan al-Bashir tomou o poder, por via de um golpe de Estado em 1989, o Sudão transformou-se num santuário do jihadismo. Relata-se que a al-Qaeda, o grupo terrorista que perpetrou os ataques de 11 de Setembro de 2001, e vários outros grupos extremistas usavam o Sudão como sua base de operações para lançar ataques contra países como os EUA, a Arábia Saudita, o Egipto, a Etiópia, o Uganda, o Quénia, entre outros. Devido ao facto de servir de refúgio a grupos extremistas, o país foi colocado na lista de “países que patrocinam o terrorismo”.

A colocação na lista negra dos EUA implicou, para o país, enfrentar dificuldades de aceder ao sistema bancário internacional por quase três décadas. Alguns anos depois de entrar na lista negra dos EUA, as sanções económicas e a pressão militar de países vizinhos levou o Sudão a expulsar o líder da al-Qaeda, Osama Bin Laden. Quando aconteceram os ataques de 11 de Setembro de 2001, os serviços de segurança sudaneses mostraram-se colaborativos para com os EUA, mas isso não foi suficiente para o país ser retirado da lista negra. Washington continuou a considerar que o país, ou a sua liderança, não era de se confiar, pois mantinha relações amistosas com o Irão e o Hamas. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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