TERRORISMO EM CABO DELGADO: População percorre 1000 km à busca de segurança

Pouco mais de 500 pessoas, correspondentes a cerca de 130 famílias, idas dos diferentes distritos afectados pelo terrorismo na província de Cabo Delgado aportaram os distritos de Alto Molócuè, Guruè, Ile, Pebane, Namacurra, Nicoadala, Milange e Mocuba, na Zambézia, à busca de segurança.

Trata-se de famílias dos distritos de Quissanga, Macomia, Mocímboa da Praia, Muidumbe e Mueda, as quais são acolhidas primeiramente por familiares e amigos e, posteriormente, encaminhadas às autoridades administrativas para acompanhamento e assistência em abrigo, alimentos, entre outros.

Para ilustrar o desespero das famílias, basta notar que a distância que separa do distrito de Macomia, em Cabo Delgado, e Nicoadala, na Zambézia, é de mais de 1000 quilómetros e considerando as condições das estradas e das viaturas que são usadas pelos deslocados, o tempo mínimo de viagem de carro pode superar as 24 horas.

Dados em poder de domingo indicam que há cerca de 13 famílias em Alto Molócuè, perto de 20 em Guruè, quatro em Milange, cerca de 50 em Mocuba e a volta de 40 em Nicoadala, sendo que a maior parte destas últimas se estabeleceram na região do regadio de Licuari.

Do total de famílias até aqui acolhidas na Zambézia, mais de metade (acima de 250 pessoas) é constituída por crianças e, como já é sabido, há mais mulheres e idosos do que jovens do sexo masculino. Há também mais de uma dezena de idosos chefes de família.

O que impressiona ainda mais é que quase todas as famílias deslocadas são as mesmas que há cerca de ano e meio foram afectadas pelo ciclone Kenneth, tendo perdido os seus imóveis, celeiros e culturas nos campos agrícolas, entre outros activos, e ainda se encontravam em processo de recuperação. Leia mais...

Texto de Jorge Rungo

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