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domingo NO TEATRO OPERACIONAL NORTE: Histórias dramáticas de puro terrorismo

Setembro 26, 2020 1190

A população de Cabo Delgado que experimentou contacto com os terroristas que actuam nesta província narra episódios horripilantes. domingo foi ao seu encontro, no chamado Teatro Operacional Norte, e descreve o que viu e ouviu, incluindo o testemunho de quem só encontrou a cabeça do irmão e de pais que viram os seus 56 jovens a serem abatidos a sangue frio na aldeia de Xitaxi, no distrito de Muidumbe, entre outros.

Quem chega à vila-sede do distrito de Palma e não está informado sobre o que se passa na província de Cabo Delgado (o que é raríssimo nos dias de hoje) pode cair na ilusão de que está tudo bem. Aparentemente, a vida flui no seu curso normal. Crianças correm e brincam nos quintais, tem gente empenhada na compra e venda de produtos de diversa índole, as instituições públicas funcionam, enfim.

Todavia, toda aquela azáfama ocorre até ao começo da noite, altura em que o comércio cessa, as instituições públicas encerram as portas e todos regressam às suas casas para dar lugar à necessária varredura policial e militar.

Pelo que apurámos, este cenário repete-se também na sede do distrito de Mueda que também escalámos na mesma senda de interagir com as comunidades afectadas pelo terrorismo. Quem, por alguma razão, circunvaga depois das 17.00 horas deve ter uma justificação e conhecer a senha do dia, sob pena de ter de dar explicações muito plausíveis sobre o que anda a fazer à noite.

Estas medidas enquadram-se no esforço que as Forças de Defesa e Segurança (FDS) estão a empreender para rechaçar as incursões inimigas nas vilas e aldeias e assegurar que, enquanto os terroristas ainda tiverem alguma vitalidade combativa, ninguém mais morra ou seja ferido por estes.

Por detrás daquela calma que se observa em Palma, há famílias inteiras dilaceradas e inconsoláveis porque o infortúnio, na sua forma mais diabólica, lhes bateu à porta na manhã de 12 de Setembro corrente. Muitos ainda estão em estado de choque e o desespero ainda lhes cega a visão sobre o futuro. Tiveram o azar de estar no lugar errado, na hora errada.

Aliás, nós mesmos experimentámos um arrepio na espinha quando soubemos que, 24 horas depois de termos descolado da pista de Palma, os terroristas atacaram uma aldeia de Myalidele, localizada a 10 quilómetros da outra pista que usámos para a aterragem. Infelizmente, até ao fecho desta reportagem, não pudemos apurar se houve danos humanos e materiais.

Se para nós a sorte deu-nos um forte abraço, o mesmo não se pode dizer de Saful Islam, 25 anos de idade e natural de Bangladesh. Ele está no país há cinco anos. O seu irmão mais velho, de 31 anos, chegou a Palma um ano antes e estabeleceu um negócio de venda de bens diversos naquela vila. Leia mais...

Texto de Jorge Rungo, em Cabo Delgado

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