AINDA SOBRE O EMBONDEIRO SAGRADO DE INHARRIME

Volvidos aproximadamente três meses depois de neste nosso “cantinho de amizade” termos feito correr muita tinta sobre a disputa de um espaço histórico e uma árvore “sagrada”, localizados algures num dos bairros da vila de Inharrime, na província de Inhambane, e aproveitando para comemorarmos juntamente com a viúva do meu/nosso falecido pai o seu (dela) centenário natalício (embora seguindo rigorosamente as restrições impostas pela covid-19), decidimos juntar o útil ao agradável, ao aceitarmos o convite do nosso velho amigo, o líder comunitário Nyang’ombe, para efectuarmos uma visita ao polémico local, a fim de vivenciarmos localmente (“in loco”, “in situ”, como diriam os antigos latinos) o que realmente estaria a acontecer. Acompanhados pelo próprio líder, lá chegámos.

O que nos foi dado a observar? Constatámos (certificámos) não só a imponência e sublimidade da centenária árvore, como também que, na verdade, ainda persiste o braço-de-ferro (ou prova de força) entre o líder comunitário Nyang’ombe, (aportuguesadamente tratado e chamado por Nhanombe), que defende, como é seu dever e direito, a preservação e manutenção do local onde se encontra o sagrado “embondeiro centenário”, e a necessidade de colocar um marco histórico para assinalar a passagem pelo sítio da caravana do intrépido marinheiro português Vasco da Gama, não permitindo a sua violação pela abstracta cidadã que, saída donde saiu, (sem nome nem assinatura), desafiando a tudo e todos, adquiriu, (vendido por não se sabe quem), um cantinho daquele lugar histórico, e ergueu a escassos metros da grande árvore uma cubata de mais ou menos dois metros quadrados e três de altura, sem nenhuma divisão interior, nem um orifício ou abertura algo parecido com uma janela, o que nos leva a deduzir que se calhar a choça destina-se para fins sem nome.

Por Kandiyane Wa Matuva

Kandiya This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

Classifique este item
(0 votes)
Script: