Para onde foi a “doutrina Assad 'must go'”?

Na semana passada, as autoridades dos EUA anunciaram a imposição de mais um pacote de sanções económicas contra indivíduos e instituições que acusa de estarem a colaborar com o governo de Bashar al-Assad, da Síria. Os EUA justificam a imposição das sanções com a intenção de forçar o regime sírio a “terminar a brutal guerra contra o seu próprio povo e a encontrar uma solução política” para a crise que o país enfrenta. Lembrando a abordagem inicial dos EUA e de muitos países europeus, importa questionar para onde foi a “doutrina Assad must go”? Mais, agora que se exige uma solução negociada para a paz, serão as sanções económicas suficientes para forçar o Governo de Assad a curvar-se aos “comandos dos EUA”?

Foi em 2011 que o então Presidente dos EUA, Barak Obama, sugeriu que o seu homólogo da Síria, Bashar al-Assad, devia abandonar o poder. O pronunciamento de Obama surge em face da eclosão de uma guerra civil na Síria, no contexto das revoltas populares no Mundo Árabe que foram baptizadas como Primavera Árabe. Com origem na Tunísia, tais revoltas fizeram sucumbir regimes que outrora eram considerados estáveis e “inderrubáveis”. Ben Ali, da Tunísia, Qaddafi, da Líbia, e Mubarak, do Egipto, são os líderes longevos que sucumbiram quase que de imediato à fúria popular. O alastramento das revoltas para outros países do Médio Oriente era visto como um chamariz para uma eventual nova onda de democratização da região, onde o Ocidente iria livrar-se de regimes incómodos como o da Síria. É só lembrar que Bush, que antecedeu Obama na presidência dos EUA, havia listado o país como parte integrante do Eixo do Mal. As revoltas populares eram, portanto, uma oportunidade para a queda do regime, daí a enunciação da “doutrina Assad must go”.

Juntamente com Obama, as lideranças de muitos países europeus também consideravam que a solução da crise naquele país do Médio Oriente passava pelo derrube do seu presidente. Enquanto na Tunísia, no Egipto e na Líbia quase que havia um consenso tácito para a necessidade da queda dos regimes, ou pelo menos das suas cabeças, na Síria isso não ocorreu. Ben Ali e Mubarak caíram em circunstâncias relativamente pacíficas. Para Qaddafi cair teve de ser criada uma aliança de “três mosqueteiros” – Obama, Cameron (Grã- -Bretanha) e Sarkozy (França). Quando chegou a vez da Assad, a aliança, que estava empenhada em dar-lhe o destino que deu a Qaddafi, foi parada pela Rússia. Seguiu-se uma longa guerra civil em que a Rússia, juntamente com o Irão (outro membro do Eixo do Mal) e China fincaram pé do lado de Assad e os EUA e seus aliados insistiam que a única solução era derrubar o regime sírio. A tomada de posições contrárias no conflito, por parte dos EUA e da Rússia, alastrou-se para o fornecimento de apoio militar para cada um dos lados. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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