Já houve tempo em que parte significativa do que consumíamos ou que necessitávamos para desenvolver as mais diversas actividades era produzida localmente. Internamente. Depois, com o mudar dos tempos foram mudando as vontades. Hoje, dependemos do estrangeiro relativamente a grande parte do que consumimos. Do que comemos. Vejamos o que nos diz o jornal “Notícias” na sua edição do passado dia 20 (página 3). 

Sob o título Mercado grossista refém de importações, começa por escrever que Os principais produtos vendidos no Mercado Grossista do Zimpeto, nos arredores da cidade de Maputo, são maioritariamente importados, o que concorre para o agravamento de preços. Acrescenta o matutino Apurámos localmente que quase todo o tomate, bata e cebola vêm da África do Sul, por ter esgotado a produção nacional que há bem pouco tempo chegou a ser abundante naquele mercado de referência em termos de produtos frescos. A agravar a situação, ao que parece, Este facto, associado à não entrada de camiões durante o fim-de-semana, fez com que a caixa de 20 quilogramas de tomate, por exemplo, chegasse aos 550 meticais na manhã de ontem e o saco de cebola fosse vendido de 250 Mt. Moisés Covane, administrador do mercado do Zimpeto, disse ao “Notícias” que dos perto de 25 camiões de tomate que diariamente abastecem o mercado, menos de quatro é que vêm de Catuane, na província de Maputo. Os restantes provêm da África do Sul. A batata e a cebola são totalmente importadas.

Desde há décadas que a África do Sul possui uma modelar rede de meios de frio para conservação de produtos como a batata. Entre outros, certamente. Antes da Independência, grande parte da batata produzida em Moçambique e que não era consumida no imediato era enviada para o país vizinho. Via caminho-de-ferro. Onde era conservada. Certamente que mediante algum valor monetário. Depois, em época de carência local voltava e era colocada à venda estabilizando o mercado nacional. Nessa época, existia uma organização que dava pelo nome de Cooperativa dos Agricultores ao Sul do Save, que se encarregava da operação. Hoje, ao que se sabe, não possuímos nenhuma estrutura vocacionada para realizar este género de operações. Mas, pode muito bem pensar-se na sua criação. A bem da economia nacional e em defesa do consumidor.

 

 

Luís David