Na última semana acordei indisposto, sentindo dores e fadiga. As minhas articulações estavam fracas e sentia uma ligeira dor do meu lado esquerdo. Fui à casa de banho e olhei para o espelho. O sorriso que o espelho emprestou-me naquela manhã era diferente ao dos outros dias. E, seguindo a lógica de que o espelho não mente, logo depreendi que algo de mal estava a acontecer comigo.

Tomei banho e, acompanhado de uma chávena de chá, comi a batata- -doce que fora confeccionada. De seguida, fui ao hospital. Cheguei e marquei a fila. Chegou a minha vez e falei com o enfermeiro que me mediu o peso, a tensão arterial e foi registando o que dizia estar a sentir e o que me apoquentava. Depois mandou-me aguardar em uma cadeira, fora da sala. Fi-lo. Minutos depois, chamaram-me e entrei para a sala da médica. Lendo o que fora escrito, ela disse que deveria fazer exames do tórax por causa das dores debaixo do coração, hemoglobina, teste de malária. Por fim, ela perguntou se queria fazer o exame de HIV. Prontamente, respondi que sim. Ela espantou-se pelo meu à vontade e disse: “parabéns, muitos pensam durante alguns minutos quando perguntamos se podem ou aceitam fazer exame de HIV”. Eu disse, “a vida é mesmo assim. Há coisas das quais não fugiremos eternamente”.

Da sala da médica mandaram-me para o laboratório. O técnico que lá estava saudou-me efusivamente, demonstrando que me conhecia. Correspondi. Mandou-me dobrar a manga da camisa. Fi-lo e começou a festa. Introduziu a agulha na minha veia e retirou aproximadamente seis frascos de sangue.  Leia mais...

Por Frederico Jamisse

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