Não olhem sobranceiramente para mim, por eu ser assim escura, porque foi o Sol que me queimou - Cantares de Salomão 1:6

“Mia” é uma mulher de tez escura. Forte. Batalhadora. Ideias próprias. Tem uma filha. O namorado e pai da menina amargou alguns anos na cadeia por comportamento criminoso. Ela está disposta a retomar a vida exactamente onde a estória de ambos foi interrompida. Ele também. Ela sonha com um regresso ao idílico amor que os juntou. Ele tem de encontrar- -se para poder amar na plenitude.

Esta podia ser uma estória qualquer se dois “malucos” - Pipas Forjaz e Mickey Fonseca - não tivessem decidido transformá-la em sétima arte. Assim passamos a ser cúmplices da alegria, tristeza, venturas e desventuras daqueles dois (“Mia” e “Bruno”)... que no fundo somos todos nós entrelaçados pelas teias da vida e da morte.

E é o Homem que importa. Porque aquela estória tem o Homem como o centro de tudo. É sobre liberdade. Ou sobre a ilusão que temos sobre o livre arbítrio. A condição humana é questionada de forma voraz, atroz e fria. Sente-se, ao longo do filme, que vivemos amarrados por fios condutores que, de tão finos, nalguns momentos, temos a ilusão de que podemos controlar o nosso destino. Leia mais...