Em uma noite de domingo, o dia que raramente saio de casa, o dia em que todas as atenções estão viradas para a família, aconteceu algo estranho. Mas já lá vou. Quero, ainda, falar dos meus domingos. Os dias em que desfruto dos melhores momentos com a família. Conversamos, lemos, tratamos do jardim, cozinhamos.  Sair de casa! Só se for para uma peladinha de futebol ou então na fase em que decorre o famigerado torneio Titanic.  É ao domingo que ajudo na cozinha e degusto das iguarias que a minha mulher prepara com muito gosto. A modéstia não é para aqui chamada. Por isso, permito-me dizer: a minha mulher cozinha muito bem. E eu e minhas filhas, comemos com muito gosto e prazer.

Retomando o mote da minha vivência de hoje, escrevia que no domingo aconteceu algo estranho. Recebi uma chamada de um morto. Isso aconteceu da seguinte forma: eram 22h00 e estava eu sentado no sofá, na sala a ver televisão. Assistia a um daqueles episódios apaixonantes do National Geografic. A temática era a floresta “mágica” do Congo. Claramente, acompanhando o momento, tinha ao lado uma taça de Meerlust Rubicon. De repente o meu celular tocou. Quando olhei para o ecrã vi o nome de uma pessoa que falecera há cinco anos. Desviei o olhar para o televisor, enquanto respirava fundo. Não consegui atender a chamada. Depois de tocar creio que cinco ou seis vezes, parou. Respirei de alívio. Entretanto, passados alguns segundos, o celular voltou a tocar. Desta vez olhei para a taça e bebi um gole, dizendo para mim- seja o que Deus quiser. (É sempre assim, lembramo-nos de Deus nos momentos maus, tristes ou de aflição. Somos muitos nessa condição). Ganhei coragem e peguei no celular.

“Boa noite. Quem fala?”

Do outro lado ouvia-se a voz dizendo: “Senhor Jamisse, desculpe ligar a esta hora. Sou um jovem que escreve poesia e gostava de partilhar os meus trabalhos consigo para ver”.

Perguntei como é que ele se chamava e de onde era. O jovem, imediatamente disse que era de Niassa e estudava na décima segunda classe. Pediu o meu email para mandar os poemas. Dei-o e comprometi-me a ler os seus trabalhos, logo que os recebesse.

Confesso que naquela noite não tinha planos de beber mais vinho. Mas depois do sucedido. Levantei-me do sofá, fui a cozinha servir mais água e trouxe a garrafa para a mesinha da sala. Não preciso dizer que servi mais uma taça.

No dia seguinte, dirigi-me a uma loja de telefonia móvel.  Expliquei o que sucedera comigo. E perguntei a motivação. O técnico explicou que as telefonias móveis, por vezes quando a pessoa deixa de usar o número por diversas razões - morte ou descontinuação do número, atribuem a uma outra pessoa. Foi o que aconteceu no caso em que recebi a chamada de um morto. Na verdade, após tomarem conhecimento do não uso do número, atribuíram ao jovem que ligou para mim.

Como conselho, o técnico da telefonia disse para termos o hábito de apagar nos nossos telefones, os números das pessoas mortas. Quando voltei para casa peguei no meu telefone e verifiquei todos os números que lá estão. Acreditem que fiquei surpreso.

Por Frederico Jamisse

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