Foi apresentada a 8 de Maio de 2018, como chefe do posto administrativo de Méti, em Lalaua, qualquer coisa como 270 quilómetros da capital provincial (Nampula) e 74 quilómetros da sede do distrito. Não sei se sabia, então, que era mais próximo (em termos temporais) viajar para a capital provincial, sem passar pela sede do distrito, do que para a sede administrativa deste.

Não sei se sabia que os habitantes do seu posto administrativo só vão à sede do distrito de que fazem parte quando a razão se prende com algum expediente que exija a assinatura da autoridade distrital; muito menos poderei saber quando é que descobriu que, na verdade, os residentes de Méti têm razão em se socorrer de Malema ou Ribáuè ou ainda da cidade de Nampula.

Não sei quando terá descoberto que 74 quilómetros (Méti/Lalaua) podem ser uma distância superior a 142 quilómetros (Méti/Ribáuè) ou 270 quilómetros (Méti/cidade de Nampula). É uma grandeza avessa, mas quem está em Méti, sabe.

É aqui onde o estado de uma estrada transforma-se em obstáculo para todos os interesses. No fim, aparecem pessoas como eu, que desde 16 de Agosto de 2013 não passo por Lalaua, apesar de estar, pelo menos uma vez por ano, em Lalaua (posto administrativo de Méti), para o que viajo directamente para aqui, roçando um pouco o território de Malema (em Namecuna), depois de passar por Ribáuè.

Mas Fátima Muaziza é chefe deste posto administrativo, a primeira mulher naquela qualidade, desde a Independência Nacional. Lá também há jovens de todos os pontos cardeais moçambicanos a construírem a sempre desejada unidade nacional: no Centro de Saúde, na Educação, na Polícia e no comércio mais ou menos formal.

Como sempre, quando lá chego, alguns dias depois, vou à administração ouvir o pulsar da terra que tanto amo com o fito de ir convencendo a quem lá trabalha a continuar porque ali também é Moçambique e nós somos originários daquelas paragens. Para os outros funcionários é fácil chamar à casa, lá conversarmos e pô-los a ler jornais, ainda que sejam do ano anterior.

Mas como chefe é chefe, para falar com a dona Muaziza, temos de nos vestir da nossa pele de residentes de Méti e pedir uma audiência, que ela sempre diz não ser necessária. Quanta humildade!

Dizem que ela é assim. Os seus dirigidos chamam-na mamã, de tão simples e próxima da vida das pessoas. Já foi vista em alguns funerais de Méti a chorar ao lado dos infortunados.

Desta vez (de novo 8 de Maio, mas deste ano) ela abriu-se um pouco mais. Disse-me que gostava de Méti e que estava a aprender ainda mais, pois a experiência que trazia das lides partidárias em distritos litorâneos de Nampula não tinha sido suficiente, apesar de ter sido, igualmente, de gestão de finanças e pessoas.

Disse que Méti era muito calmo, boa temperatura, paisagem aformoseada, enfim, um lugar para pessoas da sua idade, que não é qualquer (não perguntei para não acusar algum défice de educação). Quando não tem expediente a despachar, leva a sua cadeira e expõe-se debaixo da mangueira do largo da administração, onde descobriu que, às vezes, recebe pessoas que têm receio das paredes da administração.

Mas, diz ela, a estrada é que faz de Méti um inferno. Ela anda de motorizada. Num ano caiu três vezes e numa delas teve de levar gesso. Porém, não consegue ser rápida quando a sua saúde exige urgência. Está sempre em contacto com o seu médico na cidade de Nampula. Sofre de hipertensão, ácido úrico e colesterol.

Não fosse isso, gostaria de ficar em Méti até à reforma. Mas, diz ela, “estou a tentar convencer os meus chefes para me colocarem perto do hospital. Posso estar em qualquer posto do distrito de Rapale, por exemplo”. Muita pena, digo eu!

Enfim, são as peripécias por que passa a mamã de Méti!

Por Pedro Nacuo
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