Alguns vão te odiar, fingem que te amam agora. Então, pelas costas, eles tentam te eliminar. Mas quem Jah abençoa, ninguém amaldiçoa ‒Bob Marley

Quando se fala de coincidências eu gosto de citar uma frase já esbatida pelo tempo: “o simples bater de asas de uma borboleta no Cáucaso pode originar uma tempestade no Sul de Moçambique”. Tem a ver com o caos. Com as coisas ‒incríveis ‒que volta e meia acontecem nas nossas vidas.

E o que me fez lembrar essa frase? Dois acontecimentos. Na verdade eles, os acontecimentos, não têm nenhuma ligação. Mas eu ‒sou péssimo em guardar datas ‒gosto de ligá-los para me lembrar de um acontecimento singular: o nascimento da minha irmã Belinha.

A 11 de Maio de 1981 morria Robert Nesta Marley ou simplesmente Bob Marley. Compositor e intérprete, é seguramente o rosto mais visível do movimento Rastafari do mundo. Marley cantou a igualdade, a irmandade, o amor, a resistência e a esperança. Cantou a África e o Mundo. Cantou a Jamaica. Levou o seu país às costas para o mundo. O disco “Legend”, lançado postumamente, é o testamento e testemunho fiel da luta de Bob Marley… não é por acaso que é o disco de reggae mais vendido da história.

Desde que me lembro de mim, ouvi Bob Marley. Conheço de cor e salteado várias das suas composições. Até hoje soletro, em surdina, uma das mais belas canções dele, nomeadamente “Redemption Song”. Um verdadeiro hino. Um apelo à tomada de consciência sobre a nossa condição como parte do concerto das nações.

“Buffalo Soldiers”, “Simmer Down”,“I Shot The Sheriff”, “Rat Race”, “Could You Be Loved”, “Natty Dread”, “Uprising” ou “No Woman No Cry” continuam a povoar o meu mundo. Aliás, outros tantos artistas ‒Lee Rittenour ou Jonathan Butler ‒recriaram superiormente o tema “No Woman no Cry”, o que atesta a dimensão e valor universal de Marley.

Muitos dos seus temas mais conhecidos vieram ao mundo primeiro na Wail’N Soul‘M e depois na Tuff Gong Records, companhia fundada pelo músico para poder controlar a produção das suas canções que, pelos conteúdos vanguardistas, poderiam ser alvos da censura.

Bob Marley não precisa de nenhum favor para ocupar o seu lugar na história. Aliás, ele é do tamanho da própria história. Há poucos como ele. O impacto da sua produção continua a saga iniciada na década 60 numa Jamaica dilacerada pelo capitalismo, pobreza e discriminação. A chamada música “rebelde” que revela realidades sociais muitas vezes disfarçadas pelos discursos de circunstância e outras manobras “maquilhadoras”, porque prenhe de verdades, logrou sobreviver à corrosão do tempo. Hoje, tal como ontem, ouvir Bob Marley continua a ser um deleite, uma oportunidade soberana para se reler a história do século XX.

Por Belmiro Adamugy

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