Agentes do SERNIC e PRM indiciados de rapto em Maputo

Cinco indivíduos encontram-se detidos, desde semana finda, indiciados de raptado de um empresário de nacionalidade indiana, de 31 anos de idade, residente na cidade de Maputo.

O rapto deu-se no dia 14 do mês corrente. Na altura, a vítima encontrava-se a trabalhar no seu escritório quando os supostos raptores obrigaram-na a acompanhá-los, tendo de seguida a conduzido a um cativeiro, no bairro das Mahotas, onde ficou até a última quinta-feira.

O cativeiro é uma casa de alvenaria, do tipo 2, que vinha sendo arrendada pelo grupo desde Abril.

De entre os detidos, dois (supostos mandantes) são de nacionalidade indiana e três moçambicanos. No grupo dos moçambicanos contam-se um agente do Serviço Nacional de Investigação (SERNIC), afecto à cidade de Maputo, e um polícia da República de Moçambique (PRM), destacado para a província de Maputo.

Ao apresentar parte dos detidos, o porta- -voz do SERNIC, na cidade de Maputo, Hilário Lole, explicou que os bandidos exigiam 600 mil dólares para o resgate da vítima, montante que, entretanto, não chegou a ser pago.

Na ocasião, Lole disse que o quinto criminoso não foi apresentado à imprensa porque se encontra doente.

Lole referiu que o SERNIC lamenta o envolvimento dos seus funcionários, assim como de outras instituições do Estado em actos criminais. “Estão a ser desencadeados processos administrativo e criminal para a sua responsabilização”.

Consta que os agentes da PRM e do SERNIC terão sido, recentemente, citados noutros processos-crime relacionados com raptos.

No entanto, um dos supostos mandantes negou, perante a Imprensa, o seu envolvimento no caso de rapto, mas confirmou ter frequentado a casa que servia de esconderijo para se encontrar com as suas namoradas.

Explicou ainda que se encontra em Moçambique desde 2011, e dedica-se à importação de produtos agrícolas.

O agente da PRM, outro supostamente envolvido no crime, diz-se arrependido e justifica ter sido influenciado por um amigo. “Entrámos na sua empresa e convidámo-lo a nos acompanhar, e ele não dificultou. Não usámos arma”, disse.

Entretanto, Ester Chissano, a proprietária da residência que era usada como cativeiro, confirma ter arrendado a casa, em Abril, a dois jovens, desconhecidos.

Acrescentou que não sabia que a casa seria usada para o crime, até porque, conforme explicou, quem viria assinar o contrato é um tio que agora se encontra na África do Sul.

“Estou triste. Comprei a casa para o meu ganha- -pão. Sou viúva e a partir da renda de casa pago a escola dos meus filhos. Estes bandidos pagaram apenas uma vez, em Abril. Tentei várias vezes falar com eles para exigir o dinheiro de arrendamento, mas sem sucesso porque não atendiam às chamadas”, lamentou.

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