Jornalistas africanos denunciam EAU

“Não nos meta nas suas tramas políticas” – foi esta a resposta que o governo dos Emirados Árabes Unidos (EAU) obteve da Federação Africana de Jornalistas (FAJ), que acusa o reino de estar a tentar condicionar o trabalho de jornalistas africanos na cobertura dos preparativos para o mundial de futebol de 2022. Numa resolução publicada na semana passada, a FAJ mostra-se “consternada” pelos supostos esforços empreendidos pelos EAU para “manipular organizações de jornalistas em África para fazer declarações públicas ou fazer campanha contra a Copa do Mundo FIFA de 2022”. Os EAU e o Qatar têm vindo a enfrentar uma crise política desde 2017, quando o primeiro (EAU) juntamente com a Arábia Saudita, Bahrein e Egipto decidiram impor um bloqueio total contra o segundo (Qatar). Apesar de uma anunciada trégua entre as partes da crise, com a Arábia Saudita e Egipto a mostrarem alguns sinais de desescalada, tudo indica que, para os EAU, a disputa com o Qatar continua ainda no topo da agenda.

A rixa entre os jornalistas africanos e as autoridades dos EAU emerge da existência, de acordo com o presidente da FAJ, Sadiq Ibrahim Ahmed, de pessoas bem- -conectadas no governo dos EAU que estão a entrar em contacto com associações de jornalistas africanas. Nesses contactos, segundo Ahmed, tem havido pressão para que os media em África realizem conferências de imprensa onde veiculem informações contra a realização do mundial de futebol no Qatar em 2022. A “desculpa” para a realização de tais conferências de imprensa seria o pretexto da violação de direitos de trabalho no Qatar. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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