ANÁLISE: O objectivo do terrorismo em Cabo Delgado

Na semana passada, discorremos sobre a entrada dos terroristas em Palma, em plena luz do dia, e, tal como vimos, aquela accão faz parte de uma estratégia que visa gerar medo e terror, dado que os terroristas não têm nada a perder e/ou proteger, facto que os leva a agir de forma aparentemente destemida, aliado ao desprezo pela vida de outrem – característica peculiar daqueles malfeitores.

Se puderam notar, no referido artigo, o nosso objectivo era simplesmente o de analisar aquela acção dos terroristas, reservando para uma posterior ocasião a explicação da sua finalidade.

Ora, aqueles ataques, nos moldes em que ocorreram, nos impelem a admitir a hipótese de sabotagem intencionalmente dirigida aos empreendimentos na indústria de gás, em curso naquela província, pois não pode constituir mera coincidência o facto de os mesmos terem tido lugar um dia após a multinacional petrolífera TOTAL anunciar o reinício das suas operações em Palma, resultante do acordo com o Governo para o novo reforço de segurança em redor daquele empreendimento, que se sabe tratar- -se do maior investimento privado em curso no continente africano.

A necessidade de um novo acordo deveu-se ao facto de os terroristas terem intensificado os ataques em 2020, para além de terem estendido o seu raio de accão para as proximidades do empreendimento da TOTAL.

Já alinhados os pontos entre o Governo e a TOTAL, e um dia após esta multinacional retomar as suas actividades, tiveram lugar aqueles ataques que, dissimuladamente, visavam revestir de suspeição as garantias de segurança dadas pelo Governo moçambicano e fazer crer ao investidor que está a lançar a sua semente num terreno espinhoso.  Leia mais...

POR SALVADOR MATIKWENE

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