Pirataria camuflada de sanções económicas

Está revelada a verdadeira intenção das sanções económicas dos EUA contra o Irão. Os EUA anunciaram que encaixaram, recentemente, dezenas de milhões de dólares pela venda do petróleo capturado do Irão. O dinheiro destina-se, de acordo com as autoridades norte-americanas, ao fundo das vítimas de “terrorismo patrocinado pelo Estado”. Os EUA encabeçaram, durante a presidência de Donald Trump, uma campanha de perseguição a navios iranianos que transportassem petróleo. Apoiando- -se na assumpção de aplicação de sanções económicas unilateralmente impostas por si, os EUA têm praticado actos que lembram os tempos em que a pirataria marítima era promovida e patrocinada pelo Estado.

Quando Donald Trump tomou o poder nos EUA, em 2016, declarou guerra contra o Acordo Nuclear Iraniano. O acordo, que tinha sido subscrito pelo seu antecessor Barack Obama, colocava o Irão e os cinco membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas mais a Alemanha numa plataforma de entendimento em que o primeiro renunciava ao seu programa nuclear e os outros seis comprometiam-se a desmantelar as sanções económicas contra o Estado persa. No entanto, Trump teve uma interpretação diferente do acordo, tendo-o considerado uma desgraça pois, segundo ele, permitia ao Irão fundos que eram usados para perpetração de actos de terrorismo. Quebrando o entendimento com os seus aliados europeus tradicionais, Trump rasgou o acordo nuclear e exerceu, durante a sua presidência, uma estratégia de “pressão máxima” contra Teerão.

A estratégia de “pressão máxima” consubstanciou-se na reimposição de sanções económicas, mais duras, contra o Irão. As sanções são um instrumento económico de política externa através do qual se espera que criando danos económicos no Estado-alvo existe uma grande probabilidade deste mudar suas acções políticas. Foi no contexto da implementação dessa estratégia que navios norte-americanos começaram a caçar cargueiros iranianos que se fizessem ao mar. Essa caça deu fruto com a apreensão de quatro navios iranianos que supostamente transportavam petróleo para a Venezuela.

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