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Ganância pelo poder é intrínseca ao ser humano…!

Janeiro 09, 2021 1068

Já publicámos, nesta página, alguns artigos fazendo referência a algumas práticas pouco democráticas de algumas lideranças de África. Aliás, África tem sido rotulada como um continente onde as lideranças são gananciosas pelo poder e que, muitas vezes, encontram artimanhas para se perpetuarem no poder. Ainda que esta imagem negra esteja supostamente associada a África, a novela eleitoral nos EUA mostra que a ganância pelo poder é uma característica intrínseca do ser humano e não necessariamente das lideranças africanas. O ainda presidente dos EUA, Donald Trump, não só se recusa a aceitar os resultados das eleições de Novembro de 2020, como também incitou apoiantes à violência na tentativa de desvirtuar a vontade popular manifestada nas urnas.

Sobre África já publicámos, nesta página, alguns artigos denunciando as tendências autoritárias e de perpetuação no poder de algumas lideranças. Uma das receitas favoritas de algumas lideranças africanas é a realização de emendas constitucionais para prolongar as presidências. Golpes de Estado é outra receita eleita para se ascender ao poder. Quando se realizam eleições, as lideranças políticas da oposição, mas também da “posição”, nunca aceitam resultados que não lhes dêem vitória. Aliás, a justeza e transparência dos processos eleitorais só são reconhecidas quando se vence. Com efeito, quando o resultado não é favorável, levantam-se contenciosos eleitorais que muitas vezes desembocam em conflitos pós-eleitorais que quase sempre desembocam nalgum tipo de violência.

Olhando para os referendos de perpetuação no poder, para os golpes de Estado e para os recorrentes conflitos pós-eleitorais em África, dir-se-ia que as lideranças africanas são as únicas gananciosas pelo poder. Aliás, a aparente “tranquilidade” dos processos eleitorais dos “professores da democracia”, EUA e Europa Ocidental, criam, ou criavam, a ilusão de que líderes políticos norte-americanos e europeus não são gananciosos em se perpetuarem no poder. Donald Trump provou, porém, que a tese de que a tentativa de perpetuação no poder é aplicável somente em África é falsa. As eleições de Novembro último, nos EUA, estão a mostrar que a ganância pelo poder está na natureza humana e não depende do estatuto ou da proveniência do líder, e muito menos do nível de desenvolvimento do seu país. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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