Lá se foi o 2020 e lá se vai a era Trump

Esta é a primeira edição do “Olhando o Mundo” neste novo ano de 2021. Não se tendo feito na última edição de 2020, faz-se, nesta, uma retrospectiva em torno de alguns assuntos marcantes do ano que findou semana passada. Sendo que Donald Trump abandona a Casa Branca neste mês de Janeiro, destaque vai para algumas acções da sua política externa que fracassaram mas marcaram o ano de 2020. Com efeito, passa-se em revista a estratégia de “pressão máxima” sobre o Irão, o plano de paz para o conflito israelo- -palestiniano, a tentativa de remoção de Nicolas Maduro do poder, a candidatura para mediar a disputa fronteiriça entre a China e a Índia, a remoção dos EUA da Organização Mundial da Saúde (OMS) e os KO (knockouts) relativos às eleições e ao veto sobre um projecto de gastos com a defesa.

O ano de 2020 arrancou marcado pela elevação da tensão entre os EUA e o Irão, a um nível que fazia lembrar os eventos que antecederam tanto a Primeira como a Segunda Guerras Europeias, baptizadas como Guerras Mundiais. Entre acusações e contra- -acusações, os dois países chegaram a recorrer às armas para atingir o “inimigo”, mas nunca se engajaram numa confrontação directa. A confrontação directa ocorre ao nível das palavras e não das armas. No entanto, os dois têm usado territórios alheios – sendo vítimas principais o Iémen, Líbano e Síria – para travar as suas proxy wars. A elevação da tensão entre estes dois antagonistas foi precipitada pelas decisões de Trump em retirar os EUA do Acordo Nuclear Iraniano, de exercer uma “pressão máxima” sobre Teerão e, acima de tudo, e no ano de 2020, de mandar matar Qassem Soleimani, um dos líderes da Guarda Revolucionária do Irão. O objectivo pretendido nisso tudo, que é a mudança de regime em Teerão, não foi alcançado.

De seguida, Trump anunciou o seu tão esperado Plano de Paz com vista ao término do conflito israelo-palestiniano. Para o Presidente dos EUA, as disposições do seu plano de paz eram irresistíveis para os palestinianos. Não sendo completamente diferente de planos de paz anunciados ao longo do longo conflito, Trump introduziu a ideia de Jerusalém como “capital indivisível” de Israel e reconheceu o Vale do Jordão como sendo de soberania israelita. O acordo foi anunciado “com pompa e circunstância” por se acreditar que ele constituía a “varinha mágica” que faltava para resolver a contenda que opõe israelitas e palestinianos. No entanto, Trump adiantou-se a cantar vitória quando, na verdade, existem “pecados capitais” que condenaram o seu plano de paz. Sem entrar em detalhes relativos aos “pecados capitais”, pode dizer-se que a excessiva confiança na “diplomacia dos milhões de dólares” condenou o plano ao fracasso. Com efeito, faltam menos de 20 dias para Trump abandonar a Casa Branca e o conflito israelo-palestiniano continua inabalável: o desejado Estado palestiniano e a querida paz continuam uma miragem. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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