As acácias e os bárbaros

“O mal nunca é fora do comum e sempre humano. Compartilha a nossa cama e come à nossa mesa” - W.H. Auden

Cidade surpresa/ quem não te quer cantar/ a tua beleza/tem tudo para encantar - assim cantou Hortêncio Langa na cada vez mais distante década 80/90 inspirado, então, pela beleza feiticeira da cidade de Maputo. Nessa altura, as acácias emprestavam a sua fina fragrância encimada pelas cores vivas das suas flores. Era a cidade das acácias… hoje, só memória!

Foi como se de repente, como num passe de magia negra, uma horda de bárbaros inicia-se, vorazmente, uma intensa campanha de destruição. Provavelmente embriagados pelo perfume das flores, começaram pelas próprias árvores fazendo como os caninos: eliminando todos os odores com a urina. As árvores e outras plantas de ornamentação sossobraram à acidez das excrecões humanas que se substituíram à água.

Não satisfeitos (os bárbaros), avançaram para a destruição de outros bens públicos. Vandalização sistemática da sinalização rodoviária, destruição do sistema de iluminação pública, vandalização de jardins, barbarização de obras de arte e de monumentos e lugares históricos. Estes são apenas alguns exemplos, isso para não mencionar episódios mais críticos e violentos como, por exemplo, aqueles associados a manifestações ou marchas, que incluem o incêndio criminoso de autocarros públicos, carros privados, pneus nas faixas de rodagem. Nos ambientes urbanos, já não são raras as situações onde pisos de passeios e praças ou revestimentos de prédios e outros equipamentos públicos são sistematicamente removidos pela acção de infractores. Vidros e vidraças servem para testar as habilidades dos desocupados. Leia mais...

Por Belmiro Adamugy

This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

Classifique este item
(0 votes)