Futuro nebuloso dos cicerones

Um pouco por todas as cidades e vilas moçambicanas pulula um sem-número de crianças que são usadas como guias de seus pais, avós e outros familiares com deficiência visual, na azáfama diária de mendigar para sobreviver. São os chamados cicerones.

Mal o sol desponta no horizonte matinal, cegos, amblíopes, idosos, deficientes físicos e mentais juntam-se ao exército de mendigos que abarrota os centros urbanos, expondo de forma inequívoca os sinais de pobreza extrema que ainda grassa a maioria da população moçambicana.

Nas quintas-feiras, dia convencionado à mendicidade na cidade de Chimoio, o cenário é deveras preocupante. Filas de mendigos, que também integram crianças e mulheres vulneráveis, cobrem os passeios, estabelecimentos comerciais, instituições públicas e privadas, restaurantes e bares, mercados e outros locais, na caça desesperada de donativos. 

Nesta azáfama, interceptam pessoas em tudo que é canto, a fim de pedir algo para assegurar a sua sobrevivência.

Se os mendigos de outra natureza não precisam de guias para se dirigirem à rua, o mesmo já não se pode dizer com relação aos deficientes visuais. Estes, para serem conduzidos, reconhecer os doadores e evitar que esbarrem em obstáculos e poupar- -se a atropelamentos, usam os seus filhos, netos e outros parentes de menor idade como cicerones, para guiá- -los no caminho da mendicidade.

Sendo assim e como é óbvio, algumas dessas crianças-cicerones ficam privadas de estudar, não têm o privilégio de brincar e usufruir de outros direitos. Leia mais...

TEXTO DE VICTOR MACHIRICA

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