INQUÉRITO: Encarregados falam sobre passagens automáticas

O sistema de ensino do país está dividido em ciclos que se complementam mutuamente e tem por objectivo munir o aluno de habilidades e competências específicas para enfrentar a fase subsequente.

Volvidos seis meses após a paralisação de aulas presencias devido à pandemia da covid-19, alunos de classes do fecho do ciclo - 7.ª, 10.ª e 12.ª classes - estão a voltar paulatinamente à sala para poder realizar o exame final. As classes sem exame continuarão a receber aulas virtuais.

Neste contexto, domingo foi à rua para ouvir a opinião de alguns pais e encarregados de educação sobre esta medida.

 Situação complicada

- Cristiano Vilanculos, cozinheiro

 É uma situação complicada. Passagem automática não é a melhor solução porque estamos a permitir que crianças que não aprenderam nada passem para classes seguintes. Isto vai-se reflectir negativamente nas classes posteriores.

Entretanto, olhando para o contexto actual em que nos encontramos foi a solução mais acertada porque do contrário ia congestionar o ensino e algumas crianças não teriam vagas no próximo ano.

 Medida devia ser revista

- Valdo Aníbal, atleta

Penso que é uma medida que devia ser revista. Os alunos só estudaram durante um mês, acredito que não foi suficiente para aprenderem muita coisa neste período. Não acho justo que o Governo tenha decidido que simplesmente todos passem de classe porque nem todos estão preparados para enfrentar as classes subsequentes.

Mas, levando em consideração que a decisão foi tomada para amenizar a situação, devia se estabelecer um período para o aluno aprender o que não foi possível estudar no ano anterior.

É um retrocesso

- Ana Ernesto Gove, reformada

Não concordo com a ideia porque muitas crianças, sobretudo das primeiras classes, não sabem ler nem escrever. Há classes que para se fazer exame tem de se ter em mente matérias da classe anterior e para isso teriam de voltar a essas matérias, o que é um retrocesso.

Por mim, o ano devia ser cancelado. É certo que estão a pensar nos novos ingressos, mas também estão a prejudicar os que já estavam a estudar.

Ver-se-á o resultado no futuro

- João Armando, desempregado

 Acredito que a medida vai beneficiar muita gente porque existem pessoas que, devido à Covid-19, já não tinham o programa de voltar à escola. Quanto à aprendizagem é complicado passar sem aprender mas também seria difícil fazer provas para saber se passa ou não de classe sem ter estudado. De resto, vai se ver no futuro.

Cenário é atípico

- Sérgio Rafael, técnico aduaneiro

É uma decisão acertada porque estamos perante um cenário atípico. O Ministério da Educação tinha de encontrar uma alternativa para poder dar vazão ao grupo que vai passar automaticamente, por forma a permitir que os novos ingressos tenham acesso à escola. Caso contrário, teríamos uma pressão sobre o sistema de educação.   

Quanto ao facto de não terem aprendido neste ano acredito que nos primeiros meses os professores serão capacitados para seleccionarem as matérias imprescindíveis.

 Ano devia ser cancelado

- Madalena Bambo, servente

 Por mim, se a criança não sabe nada, não devia passar de classe. Estamos perante um caso que nem os professores terão como avaliar se as crianças aprenderam alguma coisa porque só foi um mês de aulas este ano.

Nem todos os pais conseguem ter tempo para ajudar nas aulas em casa ou corrigir fichas, portanto, esse ano devia ser cancelado.

 

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