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Mais duas “vítimas” do paradoxo da abundância?

Setembro 19, 2020 657

O Suriname e o Guiana, dois países da América do Sul, arriscam-se a se tornarem vítimas de uma das dimensões do paradoxo da abundância. A recente visita do secretário de Estado Mike Pompeo, a primeira de um governante de topo dos EUA, coloca os dois países na mira da luta pelo controlo de recursos valiosos pelas grandes potências. As visitas de “conveniência petrolífera” de Pompeo acontecem numa altura em que os dois países são citados, na imprensa internacional, como sendo os novos grandes reservatórios de petróleo. Com efeito, a “histórica” visita de Pompeo visava promover, por um lado, a “benevolência” de fazer negócios com empresas norte-americanas, ao mesmo tempo que denunciava, por outro, a “maleficência” de se aproximar à China.

Quando se fala da economia política do petróleo, e dos recursos naturais em geral, um dos assuntos mais debatidos é o paradoxo da abundância ou maldição dos recursos. Desde a publicação do estudo de Sachs & Warner (1995), muitas discussões têm sido feitas em torno dos efeitos da abundância de recursos no crescimento e desenvolvimento económicos. Em causa estão os resultados do estudo daqueles autores, que demonstraram que as economias com abundância de recursos naturais tendem a crescer menos rapidamente do que as economias com escassez desses recursos. Os argumentos para sustentar essa tese incluem a doença holandesa, o rent-seeking e a volatilidade do preço dos recursos naturais (produtos primários) no mercado internacional.

A tese da maldição dos recursos foi mais tarde expandida para se aplicar à dimensão política (recursos em abundância podem tornar os regimes políticos mais autoritários) e conflitual (recursos em abundância aumentam a probabilidade de ocorrência de conflitos) a nível doméstico. Mas é a dimensão de relações internacionais da maldição de recursos que interessa abordar neste artigo. O ponto é que se nota uma apetência das grandes potências em controlar os destinos dos países onde haja abundância de petróleo ou de outros recursos valiosos. As grandes potências tendem a fazer uso de firmas originárias dos seus países para explorar, controlar e dominar os destinos políticos e económicos dos países com recursos abundantes. Em muitos países em desenvolvimento, a abundância de recursos está a tornar-se numa maldição ao invés de uma bênção. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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Última modificação: Sábado, 19 Setembro 2020 21:08