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A “desreforma” agrária no Zimbabwe!

Setembro 05, 2020 800

Roberto Mugabe morreu e com ele parece ter morrido o Fast-Track Land Reform Program, uma reforma conduzida, em 2000, pelos veteranos de guerra que ocuparam a força as terras que até então eram de agricultores brancos. Por via do Fast-Track Land Reform Program, os negros zimbabweanos expulsaram os fazendeiros brancos. Este programa ganharia o apoio do Parlamento, em 2005, que aprovou uma emenda constitucional que nacionalizou as terras ocupadas através do programa Fast-Track e impediu os agricultores brancos de contestar judicialmente a decisão do governo. Assim, nasceu o divórcio entre Mugabe e o Ocidente, com maior destaque para o Reino Unido e os Estados Unidos.

As reacções não tardaram a acontecer, o Ocidente impôs sanções que, em parte, arruinaram a economia do Zimbabwe. Apesar das sanções, Mugabe nunca pensou em recuar da decisão de nacionalização da terra e devolvê-la aos brancos. Para ele a nacionalização da terra era parte da conquista da independência económica que complementava a independência política alcançada em 1980. A sua deposição, em 2017, por golpe de estado, inaugurou uma nova época caracterizada pela vontade do Presidente Emerson Mnagangwa de reinserção do Zimbabwe no sistema internacional, acção importante para a estabilização económica tão necessária quanto esperada.

Contudo, a reinserção internacional do Zimbabwe depara-se com exigências do Ocidente que advoga a restituição das terras aos brancos. É neste contexto que o Zimbabwe de Mnagangwa iniciou a “desreforma” agrária anunciando que os brancos que perderam as suas terras no contexto da reforma agrária podiam submeter pedidos para reavê-las. Importa realçar que o Zimbabwe tem cerca de duzentos brancos interessados em reaver as terras do total de quatro mil e quinhentos brancos que em 2000 perderam as terras a favor dos negros zimbabweanos Leia mais...

Por Paulo Mateus Wache*

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