“Paremos de fingir que somos governo” – “furo” na oposição venezuelana

A Venezuela prepara-se para a realização de eleições legislativas no próximo mês de Dezembro. Depois de uma aparente concertação de posições para o boicote do pleito eleitoral, dois partidos da oposição “furaram o esquema” e estão à beira de assinar um acordo com o governo do Presidente Nicolas Maduro para a sua participação. Um dos líderes “desertores”, Henrique Capriles, chegou mesmo a alertar que a oposição deve “parar de fingir que governa” o país e concentrar-se em participar nas eleições. Com este “furo” na oposição, Juan Guaidó, o autoproclamado presidente interino do país, arrisca- -se a ficar isolado e longe dos processos políticos do país, já que ele ainda “teima” em boicotar qualquer eleição a se realizar com Maduro no poder. Falta é saber como vão reagir os aliados ocidentais de Guaidó, caso as eleições se realizem com a participação de formações políticas da oposição venezuelana.

O “furo” público de Capriles ocorre pouco depois de ter sido noticiado que o seu partido, Justiça Primeiro, e o de Stalin Gonzales, Uma Nova Era, estavam em conversações com o governo de Maduro. Na mesa de negociações está a possibilidade de a oposição participar no pleito eleitoral na condição de o governo de Maduro permitir que haja observadores eleitorais internacionais. Esta condição foi prontamente aceite pelo governo de Maduro. Aliás, na tentativa de convencer a opinião pública sobre a sua prontidão para dialogar com a oposição, o governo de Maduro tem tomado algumas medidas pró-activas. A medida de maior destaque foi o anunciado perdão a dezenas de políticos da oposição com vista a obter uma maior participação nas eleições que se avizinham. Talvez na prossecução desse aparente espírito reconciliador, Capriles quebrou a lealdade à oposição e avisou que ela (a oposição) “não deve continuar a fingir, na internet, que é governo. Ou é governo ou é oposição. Não pode ser os dois”.

Com o “furo”, os partidos Justiça Primeiro e Uma Nova Era dão um duro golpe aos esforços de Guaidó no sentido de isolar Maduro. Os dois partidos faziam parte de um grupo de 27 formações políticas que haviam “jurado” que iriam boicotar qualquer eleição que fosse marcada pelos maduristas. As rixas na oposição representam uma clara demonstração do desvanecimento do fulgor inicial da autoproclamação de Guaidó como presidente interino da Venezuela. A falta de resultados palpáveis no objectivo de afastar Maduro do poder, mesmo com o apoio significativo do Ocidente, parece estar a levar algumas formações políticas a assumirem que terá sido um erro o arranjo criado à volta de Maduro. Mais de um ano depois, Maduro permanece inamovível no poder. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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