A Líbia "hospeda"a guerra dos Balcãs!

Muitos devem recordar-se das guerras balcânicas, incluído a liga balcânica, no início do século XX, principalmente, entre 1912 e 1913. Aliás, foi nos Balcãs que iniciou a Primeira-Guerra Mundial (1914), despoletada pelo assassinato do herdeiro do trono do império austro-húngaro, Francisco Fernando, em Sarajevo, actual capital da Bósnia e Herzegovina. Nessa altura as guerras tinham como principais causas o irredentismo e os interesses das grandes potências que recorriam às alianças militares para garantirem a sua influência.

Hoje, com menor intensidade, os Balcãs continuam a ser um espaço tenso por causa de disputas territoriais e interesse das grandes potências que pretendem controlar os hidrocarbonetos existentes nos territórios disputados. A disputa pelos hidrocarbonetos que opõe a República Cipriota Grega, a Grécia e a União Europeia, por um lado, e a Turquia e a República Turca de Chipre do Norte, por outro, adensa o complexo de segurança naquela região. Em causa está a descoberta, nas águas territoriais (com fronteiras em disputa) da ilha do Chipre, de imensas reservas de gás natural e petróleo, tendo a República Cipriota Grega assinado contratos de exploração com as multinacionais italiana ENI, francesa Total e americana ExxonMobil. E, por sua vez, a República Cipriota Turca concedeu licenças à Turquia, seu único defensor e aliado, para a prospecção e exploração do gás e petróleo, uma actividade que iniciou, com maior intensidade, em 2019, com o envio de navios de prospecção para a República Cipriota Turca.

Decorrente da disputa pelos hidrocarbonetos, as grandes potências, tal como, em 1914, em que a Alemanha apoiava o império austro-húngaro e a Rússia apoiava a Sérvia, em 2020, a França e a Itália apoiam a Grécia e o Chipre (grego), ao mesmo tempo que os EUA, apoiam a Turquia e o Chipre (turco). As manobras militares conjuntas, entre os dias 26 e 28 de Agosto corrente, entre a Grécia, Chipre grego, França e Itália, por um lado, e entre os EUA, a Turquia e o Chipre turco, no mar mediterrâneo oriental provam a emergência de alianças e o agudizar das rivalidades. Confortado pelo apoio italo-francês, a Grécia avançou para um acordo com o Egipto para alargar a sua zona económica exclusiva no mar mediterrâneo oriental. Uma atitude imediatamente reprovada por Ancara. Assim, o centro geopolítico mundial desloca- -se, pelo menos temporariamente, do médio oriente para os Balcãs. Leia mais...

Por Paulo Mateus Wache*

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Última modificação: Sábado, 29 Agosto 2020 19:51