DOS JOVENS, DOS ADULTOS E DOS VELHOS FEITICEIROS

Ensina à criança o caminho que deve andar, e assim, mesmo quando for velho, não se desviará dele.” ‒ (Provérbios 22:6)

No decorrer da semana que ontem terminou, recebi um vídeo cheio de repugnante violência. Não sei de quem vinha, porque logo após a visualização da cena delectei (apaguei). Mostrava um grupo de “bárbaros”, encabeçado por adultos e integrando também muitas crianças, viviam e comemoravam um verdadeiro “regalo” na vida (sensação de agrado provocado pelo desfrute e gozo de um espectáculo agradável), ao violentar brutalmente uma idosa indefesa, alegadamente por ser uma “feiticeira”. Isso levou-me a uma viagem no tempo regressando para a minha infância. O conceito que nós tínhamos sobre um “feiticeiro” não era e nem podia ser uma pessoa tão vulnerável como aquela pobre anciã. Espero conseguir retratar com fidelidade a vida da povoação onde nasci. Ficava à beira-mar (a pouco menos de dois quilómetros do Oceano Índico), no extremo Sul da província de Inhambane. Era uma povoação mista habitada por camponeses e pescadores, onde as três faixas etárias (conforme definição actual, as três faixas etárias são: jovens ‒ indivíduos de até 18 anos; adultos ‒ indivíduos com idade entre 19 até 59 anos; idosos ‒ indivíduos de 60 anos em diante). Dizia eu que as três faixas etárias viviam harmoniosamente cada qual gozando e cumprindo os seus direitos e deveres. Às crianças (de ambos os sexos), cabia-lhes logo pela manhã no despontar da aurora (o relógio era o Sol) o dever de levar o gado, dos poucos pais que o tinham, ao pasto, (Libalani), afugentar macacos e pássaros que assaltavam as machambas de milho, e os arrozais durante todo o dia. Não havia nenhuma escola próximo da nossa povoação e por isso nenhum de nós estudava. Leia mais...

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