EUA disparam um “tiro que pode sair pela culatra”

O Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou recentemente a sua intenção de retirar mais de nove mil soldados da Alemanha. Trump acusa a Alemanha de ser uma “delinquente”, pois, segundo ele, ela não honra os seus compromissos em termos de gastos na defesa no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Aliás, acusa o Presidente dos EUA, a Alemanha tem-se aproveitado da bondade de Washington em termos comerciais. A intenção de Washington aparenta ser justificada se considerarmos que os soldados norte-americanos estão na Europa para defender os aliados europeus. Entretanto, uma eventual retirada americana poderá ferir mais os interesses dos EUA do que dos seus aliados. Ou seja, a materialização da intenção concorre para que “o tiro dos EUA possa sair pela culatra”.

A intenção manifestada por Donald Trump mostra a coerência do Presidente em termos de cumprimento das suas promessas eleitorais. Trump prometera que, assim que fosse eleito, iria pôr em prática planos de retirada de soldados norte-americanos posicionados em “intermináveis” guerras no exterior. Foi neste quadro que, em 2018, contra muitas correntes internas Trump anunciou que iria retirar da Síria mais de 2 mil soldados. A decisão valeu-lhe não só duras críticas e acusações de estar a abandonar os seus aliados, como também colocou-lhe em rota de colisão com o seu então ministro da defesa, James Mattis, que viria a demitir-se. Há igualmente planos de retirar tropas do Afeganistão.

O caso específico da Alemanha não se enquadra na promessa de retirar tropas de guerras “intermináveis”. Ela enquadra-se, sim, na estratégia trumpiana de reduzir gastos dos EUA com compromissos internacionais. Trump mostra-se agastado com o facto de os seus aliados europeus, especialmente a Alemanha, desejarem estar seguros sem, no entanto, estarem dispostos a pagar a factura. Por causa disso, Trump chegou mesmo a acusar a Alemanha de ser “delinquente”. A acusação deve-se ao facto de a Alemanha não estar a honrar o compromisso de atingir a meta 2% dos seus gastos com o sector da defesa. Para Trump, os EUA estão a pagar uma factura muito elevada para manter a segurança dos aliados europeus e isso deve ser revertido. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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