Desmobilizados da Renamo apelam a Nhongo para fazer parte do processo de paz

— Mirko Manzoni, enviado pessoal do secretário-geral da ONU para Moçambique

“Os desmobilizados da Renamo apelam ao líder da auto-proclamada junta militar, Mariano Nhongo, para libertar-se e fazer parte do processo de Desarmamento, Desmobilização, Reinserção (DDR) em curso no país”, disse em entrevista ao domingo Mirko Manzoni, enviado pessoal do secretário-geral das Nações Unidas para Moçambique e presidente do grupo de contacto no diálogo político com a Renamo.

Ressalvou que a auto-proclamada junta militar da Renamo tem a oportunidade soberana de fazer as pazes com os moçambicanos, “porque matar é um crime e neste caso o agravante é que não se tem razões claras das reivindicações”.

Falando de Mariano Nhongo, líder da Junta Militar da Renamo, destacou: “Ele está a dizer que não pode aceitar o presente acordo porque foi assinado por um dirigente que ele próprio não reconhece. O momento não é para buscar razões de que não aceito isto ou aquilo, porque não me identifico com a liderança. Estamos perante uma tentativa de perturbar o processo de paz e não construção de um Moçambique próspero e muito menos de melhorar as condições de vida dos milhares dos combatentes da Renamo”.

O processo do DDR conheceu há dias uma nova etapa com a desmobilização de 303 ex-guerrilheiros da Renamo que se encontravam aquartelados em Savane, acto testemunhado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, e pelo líder da Renamo, acompanhados pela comunidade internacional, chefiada por Mirko Manzoni.

A entrevista que o enviado pessoal do secretário-geral das Nações Unidas concedeu ao domingo aconteceu pouco depois da retomada do DDR, tendo Mirko Manzoni sublinhado que problemas internos da Renamo não devem interferir no processo.

Manzoni sublinhou que estão criadas as condições para o Desarmamento, Desmobilização e Reintegração social dos homens residuais da Renamo.

Segue a entrevista em discurso directo.

O Governo e a Renamo retomaram, há dias, o desarmamento, desmobilização e reintegração social dos homens residuais da Renamo. Como é que avalia esse processo bastante complexo?

Texto de Domingos Nhaúle

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