OLHARES: A vandalização não se compadece com a razão

Um dos traços do ser humano é a capacidade de raciocinar, o que o distingue dos demais animais. Trocando isto em quinhentas, os dicionários ensinam-nos que raciocinar é fazer raciocínio; buscar a verdade com auxílio da razão; procurar compreender as relações entre coisas e factos; calcular... Ora, vamos por partes.

Atribuir esta faculdade a determinados seres viventes não se mostra um raciocínio na melhor forma concludente, se de forma persistente são notáveis actos que se consubstanciam em total contra-senso. Rimas à parte, o que nos sobra neste espaço, pintado com critério e raciocínio pelo foto-jornalista Inácio Pereira, é mostrar que os nossos semelhantes burlam a natureza do humano, ao inverterem a sua faculdade de pensar, estabelecendo erroneamente relações entre os seus actos e as consequências. Ora, é coisa de machucar o peito e de desencadear alta-tensão. Um anti-patriotismo e anti-patrimonismo de levar qualquer um ao chão; um desconhecimento total da importância dos lugares e das coisas. Caso alguém se questione a partir de já, o que dizer do homem que derruba uma cerca à semelhança de um animal na jaula, querendo libertar-se rumo à mata? E ao que se liberta das necessidades fisiológicas num muro de vedação? Estes e outros retratos poderão ser apreciados ‒ certamente acompanhados de uma reprovação ‒ nesta gráfica em questão. Por fim, resta-nos rezar pela alma do património que vem sendo massacrado e apelar ao bom senso de quem teima em não pautar pela razão.

TEXTO DE CAROL BANZE E FOTOS DE INÁCIO PEREIRA

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