Desmantelado o plano de captura de Nicolas Maduro

A tensão entre os EUA de Donald Trump e a Venezuela de Nicolas Maduro atingiu um novo patamar na semana passada. O líder venezuelano acusa o presidente norte-americano de ser o responsável “directo” de uma tentativa de invasão no país latino-americano com vista a capturar e “deportar” Maduro para os EUA. A acusação foi feita numa transmissão televisiva em que as autoridades venezuelanas apresentaram um vídeo que mostra um mercenário norte-americano que confessa ter entrado no território para capturar Maduro. Alegadamente, a operação resultava de um esquema desenhado por Juan Guaido, líder da oposição que é apadrinhado por Donald Trump. Enquanto Guaido e o seu “padrinho” refutavam qualquer envolvimento “directo” no “fracassado plano de captura”, o Washington Post, um renomado jornal dos EUA, publicava um documento que alegadamente prova que a oposição venezuelana negociou com uma empresa norte-americana de segurança privada para invadir a Venezuela e derrubar Maduro. As justificações de Guaido e Trump parecem não ser suficientes para refutar as evidências existentes.

Pelo reportado no vídeo da “confissão”, os mercenários foram contratados para treinar venezuelanos na Colômbia, para depois retornarem a Caracas, Venezuela, onde tomariam o controlo do aeroporto para permitir que Maduro fosse retirado do país. O autor da “confissão”, Luke Denman, alega ter sido contratado pela Silvercorp USA, uma empresa chefiada por Jordan Gordreau, um veterano militar norte-americano que admitiu o envolvimento da sua empresa na operação. Aliás, terá sido Gordreau o homem que terá facultado ao Washington Post o tal documento que “incrimina” Guaidó e outros líderes da oposição. Apesar da sua suposta assinatura no documento, Guaido afirma não ter qualquer responsabilidade nas acções da empresa. Aliás, os oposicionistas venezuelanos questionam a autenticidade das supostas assinaturas. No seu estilo próprio, Trump recusou o seu envolvimento e afirmou que caso quisesse o exército do seu país entraria na Venezuela, levaria Maduro, e os venezuelanos nada fariam. Apesar do distanciamento de Guaido e Trump, o incidente alimenta duas linhas de análise.

Primeiro, a ideia de que Guaido conspirou com actores externos para derrubar Maduro descredibiliza a sua imagem como líder da oposição. Guaido efectivamente vai continuar a recusar o seu envolvimento no plano de captura. Entretanto, há um documento a circular, embora se questione a sua autenticidade, onde se vê uma suposta assinatura do líder da oposição. Independentemente da veracidade ou não do documento, este será uma arma poderosa do regime de Maduro desacreditar quaisquer reivindicações da oposição liderada por Guaido. Aliás, a favor dos maduristas joga também o facto de a denúncia ter vindo de fora, dos EUA, e por um órgão de comunicação eventualmente sem ligações directas com Caracas. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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