Turquia versus Emirados Árabes Unidos – quem vencerá a guerra na Líbia?

A Líbia está mergulhada num encruzilhada da qual somente o povo líbio é que vai continuar a sofrer em favor de interesses alheios. Para além de ter de suportar a “hipocrisia” da “comunidade internacional”, o país agora está envolto numa confrontação de dois “gigantes” regionais, a Turquia e os Emirados Árabes Unidos (EAU), que privilegiam território de terceiros para alimentarem as suas ambições de exercício de poder. Elevou-se, semana passada, o tom de voz dos ministros dos negócios estrangeiros dos dois países, numa guerra de palavras em que cada um deles acusa o outro de ser o responsável pela carnificina interna na Líbia. Enquanto as duas partes elevam a tensão mútua, a confrontação interna pelo controlo do poder, patrocinada por actores externos, não dá sinais de aproximar-se do fim.

A “hipocrisia” da “comunidade internacional” reside no facto de existirem governos de Estados que, formalmente e ao nível das Nações Unidas, reconhecem um governo na Líbia, mas efectivamente e no terreno apoiam um grupo “rebelde”. Depois de criado o caos na Líbia, devido à intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte, foi estabelecido no país um governo reconhecido internacionalmente. Com efeito, os esforços de normalização da Líbia pós aniquilamento de Muammar Qaddafi levaram à formação do Governo do Acordo Nacional (GAN), reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Teoricamente, aquele é o governo que todos os membros da ONU reconhecem legitimidade. Entretanto, inimizades internas entre diferentes facções, alimentadas e patrocinadas por actores externos, levaram à formação de um outro grupo, o Exército Nacional Líbio (ENL), liderado pelo general Khalifa Haftar, que também reivindica legitimidade para tomar as rédeas do poder. Embora a “comunidade internacional” atribua legitimidade governativa ao GAN, no terreno alguns membros da ONU apoiam o ENL.

Na guerra que opõe as forças do GAN e as leais ao ENL de Haftar diferentes actores do sistema internacional posicionam-se em lados opostos. É o caso da Turquia, que apoia o governo reconhecido internacionalmente, e dos EAU, que apoiam as forças lideradas por Haftar. No caso específico dos que apoiam as “forças rebeldes”, já que pode se assumir que quem não os apoia, em princípio, concorda com a posição oficial da ONU, destacam-se também a Arábia Saudita e o Egipto, para citar alguns. Entre as razões para apoiar um ou outro lado, podem cituar-se questões de acesso aos recursos do país, conjugadas com questões ideológicas e de exercício de influência. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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