Mueda está localizado num planalto e até recentemente era um dos vários distritos do país cujos habitantes dependiam apenas da água dos poços ou de furos para o consumo, higiene pessoal, saneamento do meio, 

entre outras actividades.

Entretanto, esta água não chegava para todos os bairros uma vez que enquanto algumas zonas era possível se descobrir a existência de água em abundância no subsolo e própria para o consumo noutros locais apenas encontrava-se rocha ou água altamente salobre.

Por causa disso, a racionalidade do consumo de água se tornou um imperativo. Ter 20 litros de água correspondia, em muitos casos a uma grande conquista. Aliás, as mamanas locais, tinham que reflectir com cuidado se a água que conseguiram para beber, tomar banho ou lavar a roupa.

Esta situação ficou ultrapassada recentemente com a entrada em funcionamento de dois sistemas de abastecimento de água, nomeadamente de Chudi e Chomba, situados nos arredores da vila sede do distrito, os quais funcionam através de corrente eléctrica da Rede Nacional.

O secretário permanente de Mueda, Gilberto António, conta que mesmo existindo um sistema de abastecimento de água era difícil conseguir fazer chegar o precioso líquido à comunidade, uma vez que primeiro era preciso garantir a existência de combustível para as maquinas estarem em funcionamento.

Segundo Gilberto António, “era dispendioso manter as bombas de água a funcionar. Mais complicado era a disponibilidade de corrente para a vila pelo que só se fornecia energia durante quatro horas por dia a partir das 18 horas”, referiu  

Uma das formas encontrada pelo executivo local para tirar proveito da chegada a energia da Rede Nacional foi a expansão do curso nocturno, incentivo a investidores de âmbito industrial como são os casos de serrações, serralharia, assim como aos agentes económicos ligados à área da acomodação, e de lazer e de entretenimento.  

Ainda no âmbito da melhoria da vida económica da população de Mueda, um dos barbeiros do distrito disse à nossa Reportagem que a chegada da corrente eléctrica da Rede Nacional permitiu a abertura de mais locais para o corte cabelo, o que oferece à população local novas opções.

“Quando comecei com esta actividade era único, mas hoje existem muitos jovens aqui no mercado e nos bairros. O que faltava no passado eram condições para se manter no ramo, dado que só se podia tranalhar com geradores ou à manivela, o que acarretava custos, por um lado, e sacrifícios dos clientes, por outro”, explicou Azize Saide.

Outro cliente que considera este cenário como um novo ciclo de vida é o pescador da praia de Palma, Ibraimo Amade, para quem depois de muitos anos de sofrimento solicitou à Electricidade de Moçambique a instalação do sistema pré-pago (Credelec), alegadamente porque é desta maneira que poderão conseguir controlar os respectivos consumos mensais.

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