O Mercado de Xipamanine, incluindo o histórico bairro que dá nome a este lugar de grande movimentação comercial, ao nível da cidade de Maputo, será objecto de requalificação, a partir do

 presente ano.

Com base no Plano de Ordenamento do Território, o Conselho Municipal, juntamente com a Faculdade de Arquitectura da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) desenhou um plano e respectivo cronograma de acções com vista à efectivar a requalificação daquela área.

O Plano Parcial de Urbanização de Xipamanine integra o mercado e a respectiva área envolvente, tal como explicou João Tique da Faculdade de Arquitectura da UEM, num encontro com os moradores do bairro.

A implementação do programa terá como característica a forte participação dos  populares, entretanto contém regras e orientações urbanísticas que irão conduzir as transformações que o Conselho Municipal vai operar naquela zona.

Tique avançou ainda que está em preparação o novo projecto para o Mercado de Xipamanine, prevendo-se que até ao final do mês de Setembro esteja pronto para a sua implementação.

Como forma de assegurar que a actividade comercial não fique afectada, durante a execução das obras, será criada uma área na qual os vendedores poderão, provisoriamente, desenvolver as suas actividades. O recinto do acampamento do sector de Salubridade do Conselho Municipal foi o local escolhido para o efeito.

A requalificação do mercado e da área envolvente irá contemplar o sector de transporte, visto que a zona do Xipamanine possui um terminal rodoviário.

“O projecto também abrange a renovação e a reabilitação de todo o sistema de transporte, paragens e organização do movimento de pessoas naquela zona”, frisou.

PRESERVAÇÃO

CULTURAL

João Tique referiu-se à questão cultural, que faz parte da história do Bairro de Xipamanine, como um aspecto a ter em conta no quadro do Plano de Requalificação previsto.

Tal como afirmou, o “Tsyndza” (que foi a sede da Associação dos Negros) e o antigo Cinema Olímpia são alguns dos pontos que fazem parte da história do bairro e que terão que ser envolvidos no plano como forma de valorizar esses locais.

“Será possível integrar toda a área culturalcom espaços novos e organizados, de modo a garantir que, tanto a população de Xipamanine, como a do resto da cidade tenha um novo lugar para a sua vida cultural”, garantiu Tique.

O representante da Faculdade de Arquitectura disse ser também possível, dentro do contexto da requalificação, trazer outros sistemas comerciais, tais como centros comerciais de grande dimensão. 

UM BAIRRO MODERNO

No que toca à intervenção prevista para o bairro de Xipamanine, João Tique disse que se trata de uma acção importante, a ser feita em benefício dos residentes daquela zona habitacional.

“A intenção não é desenvolver o bairro para outras pessoas, é para as pessoas que vivem lá actualmente. Esse desenvolvimento passa essencialmente por pensarmos em trazer todos os benefícios da civilização”, argumentou.

Conforme declarou Tique, as benfeitorias compreendem os sistemas de infra-estruturas, a proximidade dos serviços, duma maneira geral todas as questões que estão relacionadas com equipamentos públicos. Tique lembrou que, o bairro de Xipamanine, apesar de toda a importância que tem, tem problemas relacionados com o abastecimento de água, iluminação eléctrica, saneamento, espaços públicos como jardins e falta de espaço para a prática desportiva.

Com efeito, está a decorrer um estudo do bairro, por meio de inventário, devendo o diagnóstico passar a decorrer junto das comunidades residentes, dos líderes comunitários e estruturas administrativas, ainda neste mês de Julho.

Já no próximo mês de Agosto, deverá ser concluída a primeira proposta do plano que será apresentada em audiência à população, devendo nela constar os resultados das consultas feitas aos moradores.

Caso seja aprovado, deverá ser remetido ao Conselho Municipal de Maputo para a sua análise e, posteriormente, à Assembleia Municipal para a sua aprovação final.

Capacidade do mercado vai aumentar

O presidente do Conselho Municipal de Maputo, David Simango, disse aos moradores do “Xipamanine”, que acorreram em massa ao pavilhão da Escola Secundária de Lhanguene, que o desenho do mercado que está a ser elaborado vai contemplar todos os vendedores, quer seja da área formal, quer da zona informal.

O edil teve que fazer a demonstração dos seus dotes de comunicação na língua Changana, para melhor fazer compreender a sua alocução à população de Xipamanine.

Adiante destacou que estudos até aqui realizados apontam que o Mercado de Xipamanine possui actualmente sete mil vendedores mas, com a requalificação prevista, aquele lugar deverá comportar pouco mais de nove mil operadores.

“Quando dissemos que não vamos correr com ninguém do mercado é porque, em termos de capacidade, teremos um crescimento. Ele vai acolher os actuais sete mil vendedores e haverá espaço para mais dois mil vendedores, portanto teremos no final cerca de nove mil pessoas a trabalhar naquele local”, disse Simango.

Os residentes de “Xipamanine que intervieram no encontro, de uma maneira geral, mostraram-se receptivos aos planos de desenvolvimento que estão previstos para a sua área residencial, tendo, por isso, apelado para a necessidade de justeza durante a fase da sua implementação.

Entretanto, os mais antigos, com cerca de 50 anos, chegaram a classificar como uma miragem os projectos até aqui apresentados, mesmo assim demonstraram não se opor ao processo de transformação e de desenvolvimento da sua zona habitacional.

Refira-se que, o bairro de Xipamanine situa-se num dos sete distritos municipais de Maputo que congrega no seu espaço geográfico zonas residenciais históricas da capital, como são os casos de Chamanculo, Mafalala, Aeroporto, Mincadjuíne e Unidade 7.