O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) precisa de modernizar a sua rede de estações para que possa prover ao público e às entidades ligadas à prevenção e gestão de calamidades naturais de informações em quantidade, qualidade e em tempo útil.

O director nacional adjunto do INAM, Mussa Mustafa, saiu radiante de um encontro com quadros seniores da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), em Genebra, na Suíça, no qual nos constou que lhe foram feitas promessas de apoio material e técnico para fazer com que este instituto se modernize.

Entrevistámo-lo de chofre, ainda acalorado, e a seguir transcrevemos as partes mais significativas dessa conversa onde não esconde que o INAM não tem outra saída. Precisa de meios humanos e materiais para cumprir com a sua missão. 

Quais são as grandes necessidades do INAM no presente?

Temos de falar disso em diferentes níveis...

Que níveis?

Temos a nossa rede de observação de onde extraímos a informação bruta que é utilizada para o nosso processo de previsão do tempo. Ela é reduzida, ou seja, temos poucas estações.

Quantas?

Por exemplo, na província de Maputo temos apenas uma estação em Changalane, no distrito da Namaacha. Na cidade de Maputo temos uma no Aeroporto Internacional de Maputo e outra na sede do INAM. Poderia falar de Sofala onde temos uma estação em Caia, outra na cidade da Beira e uma terceira no distrito de Búzi. Os exemplos que estou a dar referem-se às estações que funcionam em regime de 24 horas.

Tem outras?

Temos, mas não posso avançar números porque as nossas estações têm categorias. As que funcionam 24 horas são cerca de 45. Temos ainda estações climatológicas cujo número não disponho aqui e também as estações udométricas situadas nas localidades. 

Consequência disso?

Se estiver a chover na Ponta do Ouro, por exemplo, não podemos quantificar a água que caiu. Precisaríamos de modernizar a nossa rede meteorológica.

Trocando em miúdos?

Nós temos uma rede convencional cujo funcionamento precisa da presença de um Homem e a nossa mão-de-obra é muito reduzida.

Quantos são?

420 no total.

Quantos seriam necessários?

Para estações convencionais que funcionem 24 horas, precisaríamos, no mínimo, de seis técnicos em cada uma. Para ser mais claro, posso dizer que cada estação que se encontra nos aeroportos devia ter seis técnicos de observação meteorológica.

E que mais?

O ideal seria passarmos de estações de convencionais para automáticas e aí os seis técnicos seriam dispensáveis.

Porquê?

O equipamento faria as leituras e enviaria a informação para o centro nacional. E até poderíamos calibrar as máquinas para que as leituras fossem feitas de 10 em 10 minutos.

O que não é possível nas estações actuais...

As estações convencionais não fazem as leituras nesse intervalo. Só de três em três horas, em obediência às normas e horários internacionais e, se acontece algo neste intervalo, não temos como saber. A saída é termos estações automáticas.

VIGILÂNCIA METEOROLÓGICA SEM RADARES

Estas fraquezas não colocam em perigo a navegação aérea?

Neste momento, a nossa rede aeronáutica está sob controlo.

Como?

Temos poucos técnicos, mas isso não quer dizer que não temos observações. A nossa luta agora é aumentar o número de estações e também responder à Convenção de Minamata que recomenda aos países signatários a retirarem todo o equipamento que usa mercúrio.

E muito do que o INAM usa tem mercúrio...

Para ler a pressão atmosférica, temperaturas, entre outros, usamos instrumentos com mercúrio. Temos de retirar ao nível de todo o país, colocar novos. O custo mínimo dessa operação é de um milhão de dólares. Mas há mais...

O quê?

Precisamos de fazer a vigilância meteorológica.

E para isso?

Texto de Jorge Rungo

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