Numa altura em que os europeus estão a fechar as suas portas à imigração, a Colômbia apresenta dados que mostram os benefícios da entrada de estrangeiros. Notícias postas a circular na semana passada dão conta de que a Colômbia vai, no presente ano de 2019, atingir o maior crescimento económico desde 2015. As previsões apontam para os 3,4% de crescimento até o fim do ano, numa região (América Latina e Caraíbas) em que a média de crescimento é apontada para os 0,2%. Aliás, a tendência dos outros países da região, como os casos do Chile e do Peru, é de decrescer. A boa notícia para aquele país está a ser explicada como sendo resultado, em parte, da entrada de mais de um milhão e quinhentos mil migrantes venezuelanos. Ou seja, quanto mais se agudiza a crise política e económica da Venezuela, mais são os ganhos económicos para a vizinha Colômbia.

Uma das abordagens que procura expli-car as migrações é o modelo Push-Pull, que remete à ideia de que há factores que “repul-sam”, no país de origem, e “atraem”, no país de destino, as pessoas a migrarem de um lado para outro. O modelo parte do pressuposto de que existem factores negativos, no país de origem, que levam as pessoas a emigrarem. Tais factores podem estar situados nas dimensões económica, social, demográfica, política, entre outras. Com efeito, para as pessoas emigrarem para o país de destino, este tem de ter uma maior vantagem, em termos comparativos, dos eventuais factores que constituem motivo de repulsão no país de origem. Ou seja, os factores de atracção do país de destino devem sobrepor-se aos de repulsão no país de origem dos migrantes.

No caso dos países europeus há múltiplos factores de atracção que levam a que cidadãos de países de África e do Médio Oriente tenham como preferência aquele continente. Desses factores pode se destacar o nível de desenvolvimento económico e a estabilidade política. Do lado dos factores de repulsão em África e no Médio Oriente destacam-se, para além da pobreza, os conflitos e a instabilidade política vividos nalguns países dessas regiões. Semanalmente são noticia-das tentativas de milhares de africanos ou asiáticos do Médio Oriente que procuram entrar na Europa, muitas vezes sem sucesso. Relata-se a recusa da autorização de atraca-gem de navios que transportam migrantes para a Europa. Eventualmente, os cidadãos europeus contrários à imigração podem estar a ter receios de os imigrantes irem “roubar-lhes” os empregos ou aumentarem as estatísticas de desemprego, ou então engrossarem eventuais grupos que ameaçam a segurança pública.Leia mais...

Texto: Edson Muirazeque *

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