Em relações internacionais é bem conhecida a máxima realista segundo a qual “o sistema internacional é anárquico e, por essa via, quem tem poder manda e quem não o tem obedece”. Uma máxima que, ao que tudo indica, o Presidente José Mário Vaz tinha-se esquecido. Tal foi o esquecimento que não se lembrou que ele se mantinha no poder ilegalmente devido ao apoio dado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) liderada pela Nigéria. Sim, foi a CEDEAO que permitiu a manutenção do Presidente José Mário Vaz no poder, depois de o seu mandato ter chegado ao fim a 23 de Junho último. Contudo, as ambições de manutenção do poder fizeram-no esquecer-se do seu Big Brother, a Nigéria, que age sob a capa da CEDEAO.

Decorrente desse esquecimento, de quem realmente manda, José Mário Vaz demitiu, no dia 28 de Outubro, o Governo eleito dirigido por Aristides Gomes e, em seu lugar, nomeou e empossou um novo governo dirigido por Faustino Imbali. Contudo, o novo governo, porque ilegal, foi completamente rejeitado pela comunidade internacional, com maior destaque para a CEDEAO, a União Africana, a ONU, entre outras organizações. Este posicionamento da comunidade internacional encurralou o novo governo e ao mesmo tempo apoiou ao governo de Aristides Gomes. Toda esta algazarra acontece em tempo de campanha eleitoral para as eleições presidenciais, nas quais José Mário Vaz é candidato.

O governo de Imbali, apesar de ter tomado posse, não chegou a exercer o poder de facto porque não chegou a entrar nas instalações do Estado destinadas ao governo. Tentativas de mobilizar as Forças Armadas para desalojar o governo de Gomes falharam, muito por culpa do posicionamento robusto da CEDEAO que advertiu que qualquer uso de força seria considerado golpe de Estado. Ademais, a CEDEAO deu um ultimato ao governo de Faustino Imbali para se desfazer dentro de quarenta e oito horas a partir do dia seis de Novembro corrente. Assim, a autoridade ilegal de José Mário Vaz, outorgada pela CEDEAO em Junho último, foi reduzida a cinzas e o governo de Imbali ficou num beco sem saída. Leia mais...

Por Paulo Mateus Wache*

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