O Presidente da França, Emmanuel Macron, decretou, na semana passada, a “morte cerebral” da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança que coordena as aventuras militares dos europeus mancomunados com os EUA. Desde que foi eleito, em 2016, Presidente dos EUA, Donald Trump insurgiu-se contra a OTAN de tal modo que a apelidou de “aliança obsoleta”. Outrora baluarte da ideia de defesa colectiva transatlântica e materialização da cooperação multilateral contra inimigos comuns, a continuação da aliança é hoje questionada pelas suas duas maiores potências militares. As críticas de Macron e de Trump levam ao levantamento da questão “que futuro para a OTAN?”.

A França é um dos 12 países fundadores da OTAN, mas ao longo da sua história tem, de forma intermitente, mostrado uma certa aversão à ideia de depender, para a defesa da Europa, de uma organização comandada a partir de Washington. Aliás, houve momentos em que a França retirou-se do comando militar da aliança, como ocorreu em 1966, ainda que permanecendo membro da organização. Nessa base, a França tem procurado promover a autonomização militar da Europa. Nesta senda, Macron sugeriu, em Novembro de 2018, a criação de um exército europeu e, em Janeiro de 2019, reforçou esta intenção com a assinatura do Tratado de Aix-la-Chapelle, em Aachen com a Alemanha. As críticas avançadas recentemente por Macron podem ser vistas, portanto, como a continuação da estratégia francesa de tornar a Europa “autónoma” militarmente em relação aos EUA.

A ascensão de Donald Trump à presidência dos EUA tende a reforçar a vontade independentista francesa. Desde a sua eleição, Trump tem reiterado que a aliança transatlântica, materializada na OTAN, tornou-se obsoleta. É claro que as intenções de Trump não residem em satisfazer o independentismo dos franceses. No entanto, as suas políticas e reiteradas críticas em relação à organização e aos seus aliados acabam jogando a favor da vontade de Paris. Trump insurge-se contra o sistema de contribuições monetárias dos seus aliados europeus para manter a sua própria defesa. Nas contas do presidente norte-americano os europeus gastam muito menos do que deviam contribuir para o funcionamento da OTAN. Para Trump, os EUA estão a pagar demasiado caro uma factura que deve ser paga pelos europeus. Leia mais...

Por Edson Muirazeque *

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