O Governo indiano tomou uma decisão arrojada e, quiçá, arriscada, em termos de segurança, ao anunciar no dia 5 de Agosto corrente a retirada do estatuto especial de Caxemira. Importa realçar que Caxemira é uma região disputada entre a Índia, o Paquistão e a China, tendo resultado em quatro guerras, três entre a Índia e o Paquistão e uma entre a Índia e a China. É esta volatilidade que induziu aos governos anteriores ao de Narendra Modi a concederem e manter o estatuto especial àquela região.

Uma análise rápida mostra que a Caxemira é uma região geopolítica e geoestrategicamente relevante por ser nela onde se localizam as nascentes dos dois rios – Ganges e Indo – mais importantes tanto para a Índia como para o Paquistão. Para além destes dois rios, o vale de Caxemira, que é irrigado pelo rio Jhelum, é uma grande fonte de recursos florestais e produtos agrícolas com maior destaque para o arroz.

Ajunta-se aos recursos hídricos acima apresentados a presença, na Caxemira indiana, de um número considerável da população, acima de doze milhões de habitantes. Para países envolvidos em disputas territoriais, a população é talvez um activo que nenhum deles quer perder por representar, entre outras coisas, um potencial para mão-de-obra em caso de guerra. Portanto, tanto os recursos hídricos como os humanos estão entre as causas das disputas inter-estatais na região de Caxemira. Leia mais...

Por Paulo Mateus Wache*
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