A imprensa internacional está a noticiar que a França está a regozijar-se por ter elevado a sua fasquia no ranking dos maiores exportadores de armas. Os dados de um relatório recentemente apresentado no parlamento francês indicam que, em 2018, o país ascendeu à terceira posição, depois dos EUA e da Rússia, na lista dos maiores exportadores de armas. O destino preferencial das armas francesas, mas também das outras duas grandes potências indicadas, é o Médio Oriente, uma região infestada de “intermináveis” conflitos violentos que continuam a ceifar milhões de vidas humanas. A satisfação do governo francês, justificada pelos milhões de euros que encaixa pelas transacções comerciais, evidencia mais uma vez a hipocrisia das grandes potências que “simulam” estar preocupadas em “eliminar” conflitos violentos no Médio Oriente, e no mundo em geral, quando, na verdade, é do seu interesse a sua perpetuação.

Os dados que encheram de orgulho a ministra da defesa da França dizem respeito ao ano de 2018. Segundo o relatório do executivo francês, em 2018 a França bateu o seu próprio recorde de exportação de armas, tendo as vendas ultrapassado os 9 mil milhões de euros em encaixe para o país. Comparado ao ano anterior, os dados mostram uma subida na ordem de 30 por cento. No topo 5 da clientela francesa constam a Arábia Saudita e o Qatar, dois países da região do Médio Oriente. Nas últimas duas décadas, segundo a ministra da defesa, 2018 foi o ano em que o sector militar obteve os melhores resultados.

No ano em alusão, os dados globais sobre os importadores de armas mostram que o Médio Oriente continua a ser a região que mais importa armas. O topo 10 dos importadores de armas incluía cinco países da região: Arábia Saudita (primeiro), Egipto (quinto), Argélia (sexto), Emiratos Árabes Unidos (oitavo) e Qatar (nono). Mas se à definição alargada de Médio Oriente incluirmos o Paquistão (décimo), então há, no topo 10, seis países da região.

Não é possível, neste artigo, dar uma explicação pormenorizada sobre as motivações por detrás de cada um dos países da lista importar armas. No entanto, olhando para a região como um todo, percebe-se que a militarização dos Estados pode ser explicada em duas dimensões: a interna e a externa. Internamente, as populações têm-se insurgido contra os regimes vigentes e, eventualmente, as autoridades têm vindo a acreditar que o reforço do sector de defesa e segurança poderá, por um lado, dissuadir potenciais revoltosos e, por outro, garantir a sobrevivência dos regimes. É desse modo que se pode explicar o nível de repressão que se tem assistido, nalguns países da região, contra quaisquer tentativas de questionar a ordem vigente. Repressões militares têm-se assistido em vários países da região, incluindo no Sudão que, na semana passada, foram mortos dezenas de manifestantes anti-regime.

Por Edson Muirazeque *
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