O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeu, anunciou, na passada sexta- -feira, que o seu país não vai mais honrar os seus compromissos ao abrigo do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio (INF). Pompeu justificou a decisão com a alegação de que o outro parceiro do acordo, a Rússia, tem vindo a violá-lo. Caso o abandono do tratado se efective, a acção pode desembocar numa corrida ao armamento que põe em causa, primeiro, a segurança da Europa. A decisão de Washington pode ser explicada, por um lado, na estratégia “trumpiana” de “desamarrar” os EUA de acordos desfavoráveis para a promoção do seu interesse nacional e, por outro, como uma estratégia “concertada”, entre os EUA e a Rússia, de criação de uma situação de vazio normativo que leve a negociações para a assinatura de um acordo de controlo de armas em que a China, talvez a real preocupação das duas potências, esteja também engajada.

O INF é um acordo que foi assinado em 1987, no qual as partes comprometiam-se a eliminar mísseis balísticos e de cruzeiro, nucleares ou convencionais, com um alcance de 500 e 5500 km. Bem-sucedido para alguns, já que por via dele foram destruídos milhares de mísseis, ao longo dos anos tem havido denúncias, de ambas as partes, de que a outra tem violado o acordo. Os norte-americanos acusam os russos de violar o acordo por desenvolverem novos sistemas de mísseis – o míssil balístico intercontinental móvel SS-25 e o mais novo RS-26 ICBM – que, embora não sejam de alcance intermédio, são testados de uma forma que pode violar os termos do acordo. Os russos, por sua vez, não estão nada satisfeitos com a decisão dos EUA de instalar bases na Roménia e Polónia, com capacidade de lançar mísseis Tomahawk, para além de acusarem o parceiro de incumprimento pela testagem de mísseis MQ-9 Reaper e o MQ-4.

Texto: Edson Muirazeque *

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