“Aquarius” é um navio de fabrico alemão alugado pela SOS Meditarranée e Médicos Sem Fronteira, duas organizações humanitárias que, desde Fevereiro de 2016, se dedicam ao salvamento de refugiados do conflito líbio e sírio, incluídos alguns migrantes ilegais no Mar Mediterrâneo. Esta nobre atitude das organizações humanitárias esbarra com os nacionalismos dos estados da União Europeia. Estes nacionalismos ignoram o facto de a França, a Grã-Bretanha e a Itália terem sido e continuarem a ser actores incontornáveis na desestabilização dos países de origem dos refugiados, nomeadamente a Líbia e a Síria.

No caso da França e da Grã-Bretanha, na companhia dos EUA, estiveram a frente dos bombardeamentos que reduziram a Líbia a cinzas enquanto entidade económica e em caos enquanto entidade política. Mais tarde, via OTAN, quase todos os estados-membros da União Europeia, incluída a Itália, que hoje vocifera queixando-se da invasão de imigrantes no seu país, colaborou na maquinação da operação que resultou no assassinato do presidente Moumar Kadafi.

A operação que levou ao ataque da Líbia teve a chancela do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que com a Resolução 1973, de 17 de Março de 2011, autorizou o estabelecimento da chamada “Zona de Exclusão Aérea”, que mais não foi do que uma intervenção militar com o objectivo de mudar o regime. A intervenção, que incluiu apoio directo aos rebeldes, foi levada a cabo com o argumento de “defesa dos direitos humanos”, supostamente violados por Kadafi. Apesar de este oferecer condições de vida condignas aos seus concidadãos e proteger a União Europeia da imigração ilegal.

Por Paulo Mateus Wache*
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