Joseph Kabila, actual Presidente da República Democrática do Congo (RDC), anunciou no dia 8 de Agosto de 2018 que não vai ser candidato às eleições presidenciais a terem lugar em Dezembro. Na ocasião apontou Emmanuel Ramazani Shadary, ex-ministro do In­terior, para candidato às eleições presidenciais. Este anúncio sur­preendeu a Comunidade Internacional e os partidos da oposição do seu país, pois os sucessivos adiamentos das eleições que deveriam ter ocorrido em Dezembro de 2016 faziam crer que Kabila queria se­guir os modelos dos seus vizinhos: Paulo Kagame, do Ruanda, Pierre Nkurunziza, do Burundi, e Yoweri Museveni, do Uganda.

 

De facto, Paulo Kagame, no poder desde 2000, e Pierre Nkurunzi­za, no poder desde 2005, conseguiram emendas constitucionais que lhes permitem permanecer no poder até 2034. Por sua vez, Yoweri Museveni, no poder desde 1986, conseguiu uma alteração consti­tucional que retirou a cláusula que não permitia que cidadãos com mais de 75 anos concorressem à Presidência da República. Esta alte­ração constitucional permite a Museveni concorrer às eleições pre­sidenciais de 2021, com 77 anos.

 Diante das alterações constitucionais na região geopolítica dos grandes lagos - Ruanda, Burundi e Uganda - que levaram ao pro­longamento dos mandatos dos respectivos presidentes, augurava-se que Kabila seguiria o exemplo dos seus vizinhos. Esta percepção era justamente aventada porque o argumento de Kabila, de que adiava as eleições por falta de fundos para a sua realização, não convencia nem a comunidade internacional nem os actores políticos na RDC. Na verdade, durante quase um ano e meio Kabila manteve-se no poder ilegalmente procurando a fórmula para a sua continuação. Contudo, razões geopolíticas impediram-no de prosseguir com a sua intenção, nomeadamente: a rivalidade com estados vizinhos, as mudanças políticas em Angola e as dinâmicas do conflito doméstico.

No que diz respeito às rivalidades com estados vizinhos, dois pa­íses destacam-se: Ruanda e Uganda. Estes países estiveram e estão envolvidos na desestabilização da RDC desde 1996, altura em que re­beldes financiados tanto pelo Ruanda quanto pelo Uganda iniciaram as suas investidas contra Mobuto Sese Seko. Esta interferência viria a conhecer uma trégua em 2002 com a assinatura dos acordos de Paz de Sun City, África do Sul. Este foi um acto bem sucedido na gover­nação de Joseph Kabila, que ascendera ao poder em Janeiro de 2001 após o assassínio do pai, Laurent Kabila.Por Paulo Mateus Wache*

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