Estima-se que Moçambique venha a encaixar, em receitas fiscais, mais de 50 biliões de dólares norte-americanos em 25 anos contados a partir de 2024, altura prevista para o início da exportação do gás natural liquefeito a ser produzido na Área 1 da Bacia do Rovuma.

Numa cerimónia realizada semana finda na cidade de Maputo, dirigida pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, e que atraiu as atenções do mundo, a multinacional norte-americana Anadarko anunciou a Decisão Final de Investimento, naquilo que constitui o corolário de um trabalho que vem sendo desenvolvido desde 2005, quando a companhia ganhou o concurso internacional para a pesquisa de hidrocarbonetos na Área 1 (projecto Golfinho – Atum).

Com efeito, a Anadarko e seus parceiros na Área 1 comprometem-se a investir cerca de 20 biliões de dólares na construção de uma planta “onshore” (em terra) de processamento de gás na península de Afungi, no distrito de Palma, província de Cabo Delgado. O montante não inclui outros cinco biliões que estão a ser investidos noutros sectores, como por exemplo a construção de um aeródromo, acampamento, estradas e vila de reassentamento.

A planta de processamento terá capacidade para produzir 12,8 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, produto que já tem mercado garantido fundamentalmente em países asiáticos e europeus, ao abrigo dos contratos de longo prazo que vêm sendo celebrados com a concessionária.

Com este investimento, Moçambique deve encaixar em impostos, a partir de 2024, 2,1 bilião de dólares por ano, totalizando 52,5 biliões até ao final do contrato de concessão que, como se sabe, tem a duração de 25 anos.

Fora o impacto fiscal, o projecto tem o mérito de poder criar mais de 45 mil postos de trabalho directos e indirectos, tendo em conta que muitas empresas se vão estabelecer em Moçambique com o objectivo de prestar serviços ao empreendimento, tido como o maior investimento privado em todo o continente africano.

Pela sua magnitude, o empreendimento vai, como diria o Presidente da República no seu discurso, induzir a grandes transformações na economia de Moçambique e na vida das pessoas.

A título de exemplo, antes mesmo da fase de laboração o projecto da Área 1 está a empregar qualquer coisa como 4500 moçambicanos, metade dos quais oriunda das comunidades de Palma.

Aliás, é na componente de recursos humanos que acabou se centrando a intervenção do Presidente Nyusi, ao apelar aos parceiros da Anadarko a privilegiarem a formação das comunidades locais, dotando as pessoas de qualificações à altura das exigências.

Texto de António Mondlhane
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