O Ministro das Obras Públicas e Habitação, Cadmiel Muthemba, disse, há dias, durante o XXI Conselho Coordenador do ministério que dirige, que mais de vinte milhões de meticais foram

 investidos pelo Governo moçambicano no trabalho que tem vindo a realizar para o melhoramento das estradas, pontes e ampliação da rede rodoviária asfaltada.

 

O encontro decorreu no distrito de Chókwè, Província de Gaza e era subordinado ao lema “Obras Públicas, Promovendo Política e Acção para o Desenvolvimento de Infra-estrutura Resistentes às Cheias”.

O mesmo durou três dias e nele foram debatidos vários assuntos, entre os quais a iniciativa em curso visando minorar o impacto negativo provocado pelas cheias deste ano, assim como estratégias conducentes à redução da vulnerabilidade do país em relação às intempéries.

Com efeito, conforme foi referido no encontro, o Governo pretende estender as suas actividades à reposição dos diques de protecção danificados pela fúria das águas, de modo a mitigar o problema nas próximas cheias.

Entretanto, Cadmiel Muthemba recordou que as recentes cheias trouxeram graves consequências nos sistemas de abastecimento de água, pontes, estradas e diques, nomeadamente nas províncias da Zambézia, Sofala, Nampula e Tete, o que obrigou o seu sector a redobrar esforços durante essa fase conturbada, através da contínua monitoria hidrológica dos rios, bem como na criação de condições para a acomodação e reassentamento das populações afectadas.

Segundo Muthemba, tendo em conta que a problemática de estradas constitui um desafio e que o financiamento desta actividade foi descentralizado para os governos provinciais, distritais e conselhos municipais “há que se dar um outro passo, passando a manutenção e gestão de estradas para o sector privado”.

Segundo Mutemba, a medida poderá permitir ao Governo prestar mais atenção à rede de estradas de terra batida de forma a melhorar a circulação de pessoas e bens.

Entretanto, ainda de acordo com o ministro das Obras Públicas e Habitação, para além das estradas recentemente concluídas, estão em curso as obras de manutenção de emergência das estradas danificadas durante as cheias, designadamente nos troços Mapapa-Maniquinique, Cuamba-Mandimba, Caniçado-Chicualacuala, Moeda-Mocímboa da Praia,Zavala-Quelimane, Marrupa-Montepuez, Rio Ligonha-Nampula, entre outras rodovias com vista a se garantir o transporte de pessoas e bens.

“Estamos cientes das preocupações que se levantaram em torno das péssimas condições das estradas na província de Gaza, em particular as situadas em baixo Limpopo. O governo está a envidar esforços para o arranque, a curto prazo, dos programas de reabilitação de vias nesta província que foram recentemente assoladas pelas cheias”, disse.

Por sua vez, Belarmino Chivambo, director-geral de Administração Regional de Água do Sul (ARA-Sul) reforçou que há necessidade de fazer a reposição de todas infra-estruturas fustigadas pela fúria das cheias, apesar de enfrentarem dificuldades financeiras para a concretização do projecto,avaliados em cerca de 60 milhões de meticais.

Entretanto, o governo está a finalizar a estratégia integrada de protecção do Baixo Limpopo que, entre outras componentes, prevê a construção da barragem de Mapai, sobre o rio Limpopo e outras infra-estruturas como diques de defesa optimizados nos grandes aglomerados populacionais, nomeadamente Chókwè, Caniçado e Xai-Xai, em Gaza.

 

BARRAGEM EM MAPAI

PARA AMENIZAR ENCHENTES

De acordo com a directora nacional de Águas, Susana Saranga, a construção da barragem de Mapai aparece como recomendação em todos os estudos, pois julga-se que essa infra-estrutura poderá reduzir as cheias no Baixo Limpopo.

Entretanto, indicou a necessidade de se pensar num sistema integrado de protecção que integra também a Barragem de Massingir, Macarretane e os diques de protecção.

Com relação aos diques de protecção, não se trata apenas de repor o que foi destruído, mas também melhorar e elevar a quota, uma vez que se constata que ciclicamente estas infra-estruturas começam a ser galgadas.

“Tudo isso é um exercício integrado que também inclui olhar para outras alternativas para melhorar os sistemas de aviso e de evacuação das pessoas. Pode ser que as cidades fiquem, mas precisamos de mecanismos rápidos de evacuação”, disse.

 

ARRANCAM OBRAS EM ESTRADAS TERCIÁRIAS

O Vice-Ministro das Obras Públicas e Habitação, Francisco Pereira, garante que arrancam este ano as obras de reabilitação das estradas Chissano-Chibuto e Chibuto-Guijá que foram seriamente danificadas pelas cheias deste ano.

Francisco Pereira disse que a reabilitação daquelas vias de acesso vai custar ao Governo e parceiros mais de cento e cinquenta milhões de dólares norte-americanos.

O vice-ministro explicou que as obras vão consistir na reparação dos cortes provocados pelas cheias, construção e reabilitação de pontes ao longo daquelas estradas, de modo a permitir o escoamento da água.

Adiante anunciou que já há parceiros que se comprometeram em financiar as obras que deverão terminar antes da próxima época chuvosa, entretanto, enquanto não arrancam as obras de reabilitação das estradas em referência, a Administração Nacional de Estradas, ANE, tem vindo a fazer pequenas intervenções, de modo a garantir a ligação inter-distrital, que acontece no meio de muitas dificuldades.

 

ABASTECIMENTO DE ÁGUA E SANEAMENTO

Durante o encontro de Chókwè, os participantes mostraram-se preocupados com a insuficiência de fontes de água para o consumo e para fins de carácter económico, com especial enfoque para as cidades de Pemba, Nampula, Nacala e Lichinga, que sofrem grandes restrições, particularmente no período seco.  

Enquanto isso, novas abordagens inerentes à provisão de serviços de saneamento do meio estão a ser promovidas pelo sector de forma a garantir um saneamento cada vez mais seguro. Com efeito em algumas zonas urbanas já se registam melhorias com a construção da estação de tratamento de águas residuais na cidade da Beira e das obras em curso em Lichinga, Cuamba, Nampula e Quelimane.

Em algumas zonas rurais e vilas foram construídos ou reabilitados cerca de 7800 fontenários, dos 10 mil programados para o presente quinquénio. Em paralelo estão a decorrer intervenções de manutenção de aproximadamente 31 sistemas de abastecimento de água às vilas.

Adiante Cadmiel Muthemba destacou oSaneamento Total Liderado pelas Comunidades (SANTOLIC), que contribuiu para a construção de um total de 731.866 latrinas, sendo que 88.350 melhoradas, 210.950 latrinas tradicionais melhoradas.