No papel, o projecto do matadouro industrial denominado MATAMA, localizado na Manhiça, província de Maputo, tem tudo para dar certo e até especialistas locais e consultores estrangeiros juram a pés juntos que é viável. Porém, sempre que os gestores desta iniciativa pretendem colocá-la nos trilhos esbarram com vicissitudes colossais. É muito azar junto. Mesmo assim, eles dizem: resignar nunca!

O director geral da MATAMA, Boavida Muthombene, tem uma convicção muito acima do normal sobre o futuro deste projecto, que está presentemente encerrado por uma mescla de motivos que vão desde complicações com a banca comercial ao congelamento da compra e venda de acções na Bolsa de Valores de Moçambique (BVM).

Do alto do pedestral onde ele coloca as suas visões bastante optimistas, sublinhe-se, Muthombene promete reabrir o matadouro nos próximos meses porque, aos seus olhos, aquele não é um projecto para arquivar numa dessas gavetas empoeiradas ou para jogar no monte de lixo da esquina. “Vai dar certo”, afirma.

Enquanto espera por melhores dias, que acredita piamente que estão para breve, defende que a melhor coisa que a MATAMA fez até aqui foi aceder à BVM porque, de outro modo, e por estas alturas, teria sido extinta ou entrado numa espiral de problemas de muito maior envergadura.

Para ilustrar o que se passa com aquele matadouro industrial, recorda que o mesmo foi concebido tendo em conta a existência de cerca de um milhão de cabeças de gado bovino no conjunto das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, cuja criação, abate, manuseio e colocação no mercado eram feitos com recurso a técnicas medievais.

De igual modo, os mentores desta iniciativa perceberam que a abundância de gado nestas três províncias não retraía a importação de carne da África do Sul e do reino de eSwatini porque até os pecuaristas nacionais preferiam comprar e comer a carne bovina importada, por entenderem que era melhor. “Isso acontecia porque o abate não obedecia às regras”.

Na contramão desta percepção do mercado nacional, os gestores da MATAMA dizem ter constatado que “a carne bovina moçambicana é bastante apreciada além-fronteiras por ser natural”, carecendo apenas de eficiência no processamento.

Boavida Muthombene sublinha que foi perante esta realidade que se optou por estabelecer um matadouro industrial, no lugar de matadouros comuns ou simples casas de matança porque, desta forma, fariam um melhor aproveitamento dos subprodutos, nomeadamente carne, pele, sangue, chifres, miudezas, entre outros.

Sob a orientação de consultores e especialistas nacionais, a MATAMA estabeleceu que, numa primeira fase, o matadouro industrial devia ter uma capacidade para abater 60 animais por turno de trabalho diário.

Igualmente, as instalações deviam estar localizadas no distrito da Manhiça para estarem próximas dos locais de concentração da matéria-prima, a pelo menos 100 quilómetros dos principais centros de consumo, nomeadamente as cidades de Maputo, Matola, Xai-Xai e Chókwè e das saídas para a exportação.

Para viabilizar todo este interesse empresarial, o estudo de viabilidade indicou que se devia investir cerca de 12 milhões de dólares que na época (2013) equivaliam a algo em torno dos 450 milhões de Meticais, uma vez que a taxa de câmbio era de 37,5 Meticais.

Este dinheiro devia ser aplicado na cadeia completa que iniciava no recinto de confinamento, onde os animais deveriam ser colocados numa espécie de quarentena pré-abate de 120 a 150 dias ou até seis meses, na construção e apetrechamento da indústria e na logística.

Texto de Jorge Rungo
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