Em livro lançado recentemente e intitulado “Economia moçambicana numa encruzilhada? Políticas Económicas, Bolsa de Valores e Desenvolvimento Territorial”, Salim Valá, actual Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), defende que o país está a viver momentos particularmente difíceis, mas nem por isso está num beco sem saída.

Na sua obra, Salim Valá vai mais além ao discutir algumas políticas económicas, questiona os modelos ortodoxos de austeridade, postula novas abordagens e enfoques sobre modelos de desenvolvimento transformativos e coloca as instituições na centralidade dos processos económicos.

Na mesma senda, reconhece a importância da literacia financeira para tornar mais relevante a BVM; destaca o papel da boa governação corporativa para a vitalidade das empresas e recomenda a promoção da poupança para estimular o investimento e desenvolvimento.

Mais adiante, propõe o desenvolvimento territorial como modelo de referência para a promoção do desenvolvimento rural alicerçado numa perspectiva de governação endógena potenciando o crescimento económico inclusivo.

Em entrevista, escalpelizamos com ele o conteúdo deste livro que mexe e remexe nas feridas económicas, muitas delas ainda frescas, e oferece uma esperança para a cura que é possível com a adopção de uma nova mentalidade e postura política e social. O remédio é amargo, leva tempo, mas cura.

  

Este título é propositado? Feito em jeito de provocação?!

É um livro de reflexões onde tento analisar a economia de 2015 a 2019, que coincide com a época mais turbulenta da nossa economia. Peguei em três eixos, nomeadamente políticas públicas, mercado de capitais, onde entra a BVM, e o desenvolvimento territorial.

Admite que estamos numa encruzilhada?

Essa pergunta foi suscitada no livro, no sentido de que estamos a viver momentos muito difíceis, peculiares, porque alguns assuntos que hoje afectam a nossa economia nunca vivemos antes. Neste sentido, parece haver vários caminhos possíveis, que estamos atolados e também parece que estamos num beco sem saída.

O que lhe parece? Para si qual é o cenário concreto?

O argumento principal do livro é que Moçambique está a viver um momento económico difícil, mas nem por isso está num beco sem saída.

Aponta as políticas públicas como primeira dimensão para se sair desta encruzilhada. Como é que isso pode ser feito?

Através de políticas públicas compreensivas, de longo prazo, baseadas numa dimensão territorial e com instrumentos financeiros apropriados. Muita gente pensa que o desenvolvimento económico e social do país depende da acção do Estado que deve prover todos os bens e serviços.

Acha que os que assim pensam estão errados? 

Esta não é uma visão apropriada porque partem do pressuposto de que é o Estado que tem de fazer tudo para o desenvolvimento. Esta é uma visão claramente errónea e falaciosa.

Porquê?

Porque o Estado, a sociedade civil e o sector privado são actores do desenvolvimento e o sector privado é, em última análise, o motor da economia. Ele é que cria emprego, gera renda para as famílias, paga impostos, entre outros.

Mas, lá está. Como é que ele pode exercer esse papel num cenário em que o Estado, que é o maior empregador e comprador de bens e serviços, está com as suas contas no vermelho?

É difícil, mas é preciso olhar para o jogo de desenvolvimento económico como um jogo de responsabilidades partilhadas. Se o Estado funciona muito bem, mas o sector privado não cria bens, serviços, emprego, renda e não paga impostos o jogo não fica completo.

Vale o mesmo para o Estado...

Pois, por isso é que se diz que em países emergentes, ou com significativa parte da população a viver abaixo da linha de pobreza, como nós, que temos cerca de 46 por cento, o papel de Estado é central porque temos de reduzir a pobreza, corrigir falhas do mercado e intervir para pavimentar o país de infra-estruturas de apoio ao desenvolvimento de negócios, nomeadamente, estradas, pontes, linhas-férreas, aeroportos, sistemas de telecomunicações, comunicações, sistema financeiro, entre outros. Leia mais...

Texto de Jorge Rungo

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